São Paulo - O aumento da participação do investidor de varejo tem sido fundamental para evitar uma queda ainda mais expressiva da Bolsa de Valores. Isso porque, com o agravamento da crise internacional, os investidores estrangeiros, que costumam ser a categoria que mais negocia na Bovespa, fugiram do mercado acionário local.
As operações dos investidores individuais no mês passado na Bolsa tiveram saldo positivo de R$ 572,4 milhões - ou seja, mais compraram que venderam ações nesse montante.
Desde junho, os investidores estrangeiros têm mais vendido que adquirido ações brasileiras. No mês passado, o saldo das operações dos estrangeiros ficou negativo em R$ 1,15 bilhão.
''A pessoa física tem ajudado a segurar a Bolsa, que tem visto uma saída muito grande de investimento estrangeiro'', diz Mauro Calil, professor e educador financeiro.
Os estrangeiros tiraram R$ 26 bilhões da Bolsa em 2008 - o pior ano nessa categoria.
''Há tempos os profissionais vêm falando que Bolsa é investimento de longo prazo. E o investidor brasileiro demonstra que começa a compreender isso. Ao longo do tempo, as pessoas vêm melhorando sua percepção em relação ao mercado acionário'', diz William Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Além do aumento de investidores nas aplicações diretas na Bolsa, os fundos de ações se destacam como uma das poucas categorias que captaram recursos em 2008.
Em meio a um dos piores anos já enfrentados pela indústria de fundos brasileira, a captação líquida (diferença entre aplicações e resgates) dos fundos de ações está positiva em R$ 5,65 bilhões no ano. Para aplicar em um fundo, o investidor procura normalmente um banco ou uma gestora e realiza a aplicação. O fundo é uma comunhão de recursos de diferentes investidores usada para comprar ativos, como as ações.

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