A instabilidade voltou a varrer o mercado financeiro, com bruscas oscilações das Bolsas domésticas e pressão sobre as taxas de juros e cotações do dólar embutidas nos contratos futuros. A Bolsa de São Paulo chegou a recuar 10,2% e, com o ímpeto de baixa amortecido pelo circuit breaker, recuperou-se para fechar o pregão com perda diluída a 4,84%.
A derrapada do mercado de ações refletiu a frustração, já cristalizada no fechamento do pregão da véspera, com a falta de referência a um corte dos juros no depoimento prestado pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Alan Greenspan, ao Congresso no dia anterior. Houve desapontamento também com a omissão, no depoimento de Greenspan, à formalização de possível suporte financeiro à América Latina bancado pelos países mais ricos integrantes do Grupo dos 7 (G-7).
A falta de referência aos dois temas neutralizou, na prática, as duas principais expectativas que vinham alimentando a recuperação dos mercados de ações nos últimos dias. Reforçou as incertezas do mercado doméstico, ainda, a baixa generalizada das Bolsas mundiais, da Ásia à Europa.
Na Ásia, a Bolsa de Tóquio fechou com queda de 2,38% e, entre as européias, a de Paris recuou 5,47%; a de Frankfurt, 3,88; e a de Londres, 3%. A Bolsa de Nova York também não escapou ao clima de instabilidade e apurou recuo de 2,67% ou perda de 216,01 pontos. Entre as latino-americanas, a de Buenos Aires caiu 5,27%.
Chile O Banco Central do Chile anunciou ontem medidas na política cambial e aumento da taxa de juros para fazer frente à maior crise econômica no País desde o início da década de 80. ‘‘Estamos vivendo e vamos viver momentos difíceis, como consequência da crise econômica, que é mundial’’, disse o presidente chileno, Eduardo Frei.
As medidas alteram a faixa de flutuação da cotação do peso. Até o início da semana, a diferença entre o valor mínimo e o máximo da moeda era de 5,5%. A distância entre as bandas cambiais subiu para 7% e até o fim do ano bate em 10%. Na prática, a mudança permite maior desvalorização do peso, que está sob forte pressão.

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