Pessimismo faz Bovespa cair 6,14%
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
Agência Folha 
São Paulo - A boa fase vivida pelo mercado financeiro no Brasil sofreu um forte abalo ontem A Bolsa de Valores de São Paulo caiu 6,14%, em seu pior dia desde julho de 2002. O risco-país passou dos 500 pontos, subindo 14,9% - também a maior elevação desde 2002. Juros futuros e dólar subiram.
A mudança de humor dos investidores foi desencadeada por dois fatores. O primeiro, doméstico, foi a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que, no entendimento do mercado, descartou cortes de juros tão cedo. A taxa básica está em 16,5% ao ano.
O segundo, externo, foi o comunicado do Fed (banco central dos EUA), sinalizando que os juros do país não devem demorar para subir. A taxa anual está em 1%. O comunicado do Fed teve um efeito devastador sobre títulos da dívida brasileira. O C-Bond, papel brasileiro de maior negociação, voltou a ser negociado abaixo dos 100% de seu valor de face. Há três semanas isso não ocorria. O movimento se explica da seguinte forma: se os juros americanos sobem, como aconteceu ontem, os investidores trocam os papéis de emergentes pelos do Tesouro dos EUA, considerados de risco zero. Essa conjunção de fatores levou o dólar a R$ 2,931 (alta de 1,2%), sua maior cotação em um mês. Na semana, a moeda americana já acumula alta de 3,17%.
A significativa queda da Bovespa ontem derreteu seus ganhos acumulados no ano. Todas as 54 principais ações da Bolsa fecharam com perdas. Operadores afirmaram que os investidores estrangeiros, que têm colocado bastante dinheiro na Bovespa há alguns meses, se desfizeram de muitas ações ontem.


