Pessimismo estimulou queda maior
Agência Estado
O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Demósthenes Madureira de Pinho Neto, disse ontem que a redução dos juros além das expectativas de analistas e consultores teve o objetivo, entre outras coisas, de ‘‘não referendar o pessimismo do mercado’’ provocado pelas incertezas das situações da Rússia e da Indonésia. ‘‘Rússia e Indonésia são problemas localizados’’.
Ele lembrou que, desde a sexta-feira passada, o mercado estava tumultuado por causa dos problemas políticos na Indonésia e, na última segunda-feira, as especulações aumentaram com a turbulência na Rússia. ‘‘Os mercados da Rússia e da Indonésia não têm nada a ver com o do Brasil ou com dos outros países emergentes’’, assegurou. Pinho destacou que, especificamente na Rússia, o problema que mais preocupa os analistas é de natureza institucional. ‘‘Uma situação muito diferente da que vive o Brasil hoje.’’
Justamente por considerar que os problemas são localizados, Pinho não acredita numa nova crise internacional como a que aconteceu em outubro, a partir das dificuldades apresentadas pelos tigres asiáticos. Para o diretor, havendo um agravamento da situação russa, ‘‘uma ação rápida dos Estados Unidos e do Fundo Monetário Internacional’’ ajudará a controlar qualquer instabilidade.
Pinho procurou desfazer um pouco a idéia de que o ganho do investidor externo no Brasil, o chamado cupom cambial, continua sendo um forte balizador para o Banco Central no momento da definião das taxas de juros. ‘‘Temos que analisar a real dimensão do cupom cambial’’, disse. Ele explicou que ‘‘os vários fluxos de capitais reagem de forma diferente ao cupom’’. Ou seja, cada tipo de fluxo externo, ou entrada de dinheiro, sofre maior ou menor influência dos juros de curto prazo.
Os investimentos estrangeiros diretos, que têm tido fortes ingressos no Brasil, não são influenciados pelo cupom cambial, lembrou Pinho. A maior parte do déficit em conta corrente do País este ano será financiada por esses recursos. O diretor lembrou também que parte substancial dos recursos destinados a investimentos em portfólio (aplicações em bolsa) não são afetados somente pelo cupom.
No caso dos recursos de curto prazo, ou seja, daqueles que só ingressam no País para auferir os ganhos do diferencial das taxas de juros internas e externas, Pinho lembrou que os fluxos do câmbio flutuante têm sido negativos. Ou seja, já não havia entrada líquida de recursos antes da redução do cupom.
O diretor lembrou que, neste segmento, existe o desestímulo representado pela cobrança de 2% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Segundo Pinho, é difícil avaliar o impacto ou o reflexo que a redução das taxas decididas na quarta-feira terão sobre a economia. O diretor do BC disse, no entanto, que dificilmente a economia crescerá mais do que os 2% previstos pelo governo para este ano.

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