Embora 66% dos brasileiros ocupados afirmem se preocupar com a aposentadoria, apenas uma pequena parcela deles (21%) se planeja de alguma forma para a velhice. As informações são da pesquisa "O raio x do investidor brasileiro", feita pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) com apoio do Datafolha. Foram ouvidas 3.374 pessoas com mais de 16 anos - aposentadas e não aposentadas - de 152 municípios de todas as regiões do País. O levantamento se limitou às classes A, B e C.
Em tempos de reforma da Previdência, 78% não pensam em deixar de trabalhar porque "não se veem parados". A quantidade de pessoas que oferece essa resposta não é muito diferente por faixa etária. Entre 16 e 24 anos, são 72%; entre 25 e 34 anos,78%; entre 35 e 44 anos, 79%; entre 45 e 59 anos, 82%; e finalmente acima de 60 anos são 78%.
Do total de entrevistados da ativa, 62% alegam que não conseguem pensar em aposentadoria porque não terão dinheiro suficiente para se sustentarem sem trabalho. Também nesse caso, todo mundo está preocupado: 53% dos mais jovens; 60% dos que têm entre 25 e 34 anos; 65% na faixa dos 35 a 44 anos; 66% entre 45 e 59 anos; e 63% no caos dos que têm 60 anos ou mais.
A pesquisa mostrou também que parte dos brasileiros não aposentados tem ilusões em relação ao futuro. O Datafolha perguntou a esse grupo se acha que as despesas serão maiores, menores ou equivalentes às atuais, quando chegarem à aposentadoria. Para 46%, elas serão maiores. Mas, na realidade, é maior o número de pessoas que está gastando mais que antes. Dos aposentados, 61% disseram que tiveram aumento de despesas.
Outros 41% de não aposentados acham que as despesas serão equivalentes. Mas só 26% dos já aposentados confirmam essa expectativa.
A Anbima quis saber de onde as pessoas da ativa pensam que virá o dinheiro para sustentá-las na aposentadoria. 47% apostam na Previdência Social e 28% no próprio esforço, já que não pretendem ou não acreditam que poderão parar de trabalhar. Já 12% dos entrevistados dizem não ter ideia de onde virá o sustento.
A grande maioria (89%) dos aposentados vive hoje exclusivamente da Previdência pública. Mas somente 47% de quem está na ativa tem expectativa quanto a isso. Hoje, apenas 2% dos aposentados dizem que fazem bico para sobreviver. Já 28% de quem ainda não se aposentou acredita que terá de continuar trabalhando no futuro.
Segundo a pesquisa, os brasileiros da ativa já se conformaram com a ideia de que terão de trabalhar por mais tempo que as gerações anteriores. A maior fatia dos entrevistados (44%) diz que pretende parar de trabalhar entre 60 e 69 anos. Só 23% pensam que terão essa oportunidade antes disso.

Imagem ilustrativa da imagem Pessimismo e despreparo com aposentadoria



ANÁLISE

"O aumento da expectativa de vida pega todo mundo despreparado quando pensa em aposentadoria. Uma pessoa que se aposenta aos 65 anos, e enxerga 10, 15 anos a mais de vida, quer executar alguma atividade para preencher todo esse tempo", explica o consultor financeiro, Thiago Terzoni. Ele diz que a situação da Previdência Social dificilmente vai permitir que as pessoas se aposentem com valores condizentes com o padrão de vida que mantinham antes. "Então têm de complementar renda."
Outro ponto destacado por ele é a situação econômica do País. "As pessoas precisam continuar trabalhando para ajudar os filhos e aumentar a renda da família de modo geral. Isso que leva os aposentados a continuar trabalhando normalmente", afirma. O trabalho na maioria das vezes é informal. "A tecnologia hoje permite mais trabalhos do tipo freelances, como motoristas de aplicativos. Isso possibilita que os aposentados complementem renda e eles estão fazendo isso", declara.
Sobre a crença de muitos entrevistados de que não terão aumento de despesas após a aposentadoria, o consultor explica: "Isso passa pela educação financeira. As pessoas desconhecem as finanças pessoais e da família. Pouca gente sabe, por exemplo, afirmar com clareza quanto gasta", alega.

mockup