O pessimismo do mercado financeiro levou analistas a reverem suas previsões sobre a queda de juros na reunião de quarta-feira do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) e até a apostar que o BC vá adotar uma postura mais conservadora. ‘‘O clima está levando à percepção de que o BC poderá ser conservador em sua decisão no Copom e isso serviu para a ampliar a queda das Bolsas’’, disse o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, consultor da Tendências.
Segundo ele, as principais preocupações são com uma aparente deterioração da base de sustentação política do governo, com problemas na aprovação do pacote fiscal e articulações que visariam a derrubada da diretoria do BC, e com as saídas de dólares do país.
Ontem, a chefe do Departamento de Operações com Reservas Internacionais do BC, Maria do Socorro Carvalho, deu explicações, por meio da assessoria da instituição, sobre o grande volume de dólares que o BC está vendendo. Segundo ela, essas são vendas que já estavam previstas para o pagamento de principal e juros da dívida externa privada. ‘‘Não há saídas atípicas.’’ O BC informou ainda que, para dezembro, está previsto o vencimento de US$ 5 bilhões em empréstimos e que, se não houver rolagem, haverá perda para as reservas em moeda estrangeira.
As reservas vão ganhar um reforço amanhã: o FMI (Fundo Monetário Internacional) fará um depósito de US$ 4,791 bilhões na conta que o BC mantém no Federal Reserve de Nova York. Para quinta-feira, são esperados novos créditos, em um total de US$ 4,589 bilhões. O BIS depositará US$ 4,189 bilhões, e o Banco do Japão, US$ 394 milhões.
Hoje, a saída de dólares é um dos principais fatores levados em conta para fixar os juros, pois o acordo com o FMI vincula as taxas ao volume de reservas em moeda estrangeira do BC. Sérgio Werlang, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e diretor do Banco BBM, afirma que uma queda mais acentuada dos juros vai depender dos limites fixados pelas metas monetárias (para o volume de dinheiro na economia) estabelecidas no acordo.
Segundo ele, teoricamente há espaço para os juros básicos, hoje em 32,4% anuais, caírem para percentuais como 27% ou 28%. ‘‘Mas uma queda acentuada dos juros vai depender do cumprimento da meta sobre o crédito interno líquido. Se o cumprimento estiver ameaçado, o BC poderá ser mais conservador, fixando os juros em 29,5% anuais’’, afirmou. Pelo acordo, quando as reservas caem mais que o previsto, o BC é obrigado a reduzir o volume de dinheiro da economia e, assim, elevar as taxas de juros. É o controle do que os economistas chamam de crédito interno líquido.
Hoje, as taxas de juros já estão abaixo da média projetada pelo acordo com o FMI. As metas fiscais têm como pressuposto uma taxa média anual de 40,9% no último trimestre de 1998, de acordo com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Amaury Bier.

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