São Paulo- Depois da trégua dos últimos dias, a turbulência financeira voltou com força ontem e derrubou bolsas de valores no mundo todo. A nova rodada de quedas, como vem ocorrendo, foi liderada pelo mercado acionário dos Estados Unidos. O Índice Dow Jones recuou 2,10% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 2,37%. No Brasil, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) perdeu 2,70% e o dólar avançou 2,67%, para R$ 2,003. O risco Brasil disparou 5,5%, para 211 pontos.
Segundo analistas, nenhum fato específico desencadeou o mau humor. ''O mercado continua sensível, a escassez de crédito persiste e não houve nenhuma notícia boa que justificasse nova alta das bolsas'', sintetizou a economista-chefe do Banco ABN Amro Real, Zeina Latif.
As notícias do dia, aliás, fomentaram o nervosismo. A ata da reunião de 7 de agosto do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), por exemplo, revelou que, naquele momento, a inflação ainda era a maior preocupação do BC americano - embora os diretores da instituição tenham chamado a atenção para a crescente turbulência nos mercados.
''A ata criou a expectativa de que o Fed manterá o juro na reunião de setembro (que será realizada no dia 8), o que desagradou aos investidores'', disse o analista de renda variável da Corretora Coinvalores Carlos Nunes. Grande parte da melhora do mercado nos últimos dias deveu-se justamente à expectativa de que o Fed cortaria a taxa básica de juros dos atuais 5,25% para 5% ao ano no próximo encontro.
Para Zeina, o pessimismo com que a ata foi recebida deve ser relativizado. ''(A ata) já é notícia velha'', observou, lembrando que a reunião do BC americano ocorreu no início da crise. A primeira forte queda dos mercados ocorreu em 26 de julho.
O economista-chefe do Pátria Investimentos, Luís Fernando Lopes, avalia que o Fed só vai reduzir o juro se estiver ''convencido dos impactos negativos das turbulências nos mercados na atividade econômica''. Outra informação negativa surgiu de um pesquisa realizada pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s em conjunto com a MacroMarkets. O levantamento mostrou que os preços dos imóveis nos EUA recuaram 3,2% no segundo trimestre em relação a igual período de 2006, maior queda desde que o índice foi criado, em 1987.
Além disso, o Índice de Confiança do Consumidor de agosto nos EUA atingiu o nível mais baixo desde a passagem do furacão Katrina pelo país, em agosto de 2005.


A crise no mercado imobiliário americano pode afetar as transações imobiliárias no Brasil?

‘‘Existe a possibilidade de serem afetadas indiretamente. O pequeno investidor pode ficar com receio em comprar imóveis ao ser informado sobre as turbulências no exterior. Porém, diretamente, é quase impossível porque o mercado brasileiro é diferente dos Estados Unidos. Lá, o que sustenta as construtoras são os grandes fundos imobiliários. Além disso, o Brasil possui, ainda, carência de imóveis.’’
Alfredo Canezin, imobiliarista

‘‘Não. O mercado imobiliário brasileiro está em plena ascensão. Os momentos de turbulência são bons para o setor porque reforçam que o imóvel é um investimento seguro. Além do mais, a crise ocorreu no segmento de crédito imobiliário de risco, o chamado subprime. Este tipo de empréstimo é semelhante ao trabalho feito pelos agiotas, que emprestam dinheiro para pessoas sem comprovação de crédito com juros muito acima do mercado.’’
Raul Fulgêncio, imobiliarista

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