Cerca de 100 técnicos, entre funcionários da Petrobrás e outras empresas contratadas, estão trabalhando há cerca de um mês em Roncador (100 km ao sul de Campo Mourão) na aquisição de dados para apurar a possível existência de gás natural no subsolo do município. Segundo o gerente de reservas da Petrobrás em Itajaí-SC, o geofísico Vágner Beraldo, os resultados dessas coletas só devem ficar prontos entre março e abril do ano que vem.
‘‘São várias frentes de trabalho e o serviço é minucioso’’, explica ele. A chamada ‘‘equipe sísmica’’ faz todo um levantamento geográfico e geológico antes que qualquer poço seja perfurado. No caso de Roncador, somente após a conclusão desse trabalho é que a Petrobrás vai decidir se vale a pena perfurar poços para a confirmar a existência do gás. De acordo com o geofísico, a ‘‘suspeita’’ de gás natural na região é resultante de ‘‘décadas de estudos’’.
‘‘Existe uma série de condições geológicas que são estudadas e dados que são interpretados para que se parta para a tentativa de confirmação de uma hipótese’’, explica Beraldo. Enquanto em Roncador os trabalhos ainda estão no início, em Mato Rico, a cerca de 22 quilômetros, a Petrobrás está concluindo a perfuração de um poço iniciada há seis meses. Dentro de 10 dias, a plataforma deverá ser transferida para Palmital, outro município vizinho.
Segundo Beraldo, o poço em Mato Rico confirmou a existência de gás natural, mas ainda é preciso descobrir se a jazida do município terá uma produção em quantidade comercial viável. ‘‘Um novo poço ou mais deverão ser perfurados para se assegurar o tamanho da jazida’’, ressalta o geofísico. ‘‘Uma única jazida pode ter uma área de 30 a 40 quilômetros quadrados’’. Confirmada a viabilidade, a Petrobrás passa a negociar a venda do gás.
O poço feito em Mato Rico tem cerca de 3,6 mil metros de profundidade. Beraldo conta que o trabalho de perfuração é ‘‘complicado’’ e, por isso mesmo, acaba sendo demorado. Além de dados pesquisados no local, também são analisadas imagens de satélite. Em Mato Rico, estão trabalhando cerca de 40 homens, entre técnicos da Petrobrás e de empresas contratadas pela estatal. Toda essa estrutura deve seguir ainda este mês para Palmital.
De acordo com Beraldo, o gás natural detectado na região de Roncador e Mato Rico é o mesmo usado no gasoduto Brasil-Bolívia e já existe um projeto na Petrobrás para levar esse gás até a região de Londrina. O gás natural é usado como fonte de energia elétrica e como combustível para parte do setor industrial. ‘‘A poluição que o gás natural gera é praticamente zero’’, ressalta Beraldo. ‘‘É um combustível ecológico’’.

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