Pesquisador diz que Europa não 'cumpriu dever de casa'
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quinta-feira, 15 de março de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
Enquanto a União Européia cobrou do Brasil a erradicação da febre aftosa, requisito para importar a carne brasileira, deixou de fazer a tarefa de casa e descuidou da sanidade de seu rebanho. A avaliação, do consultor em Sanidade Pecuária, Décio Luiz Gazzoni, da Embrapa-Soja, em Londrina, revela que a doença foi utilizada como barreira comercial e não como barreira sanitária.
Para Gazzoni, enquanto os países da União Européia se preocupavam em carimbar os países do terceiro Mundo com a imagem que o sistema sanitário é ruim, deixaram de informar ao consumidor europeu que não eram tão eficientes assim. Prova disso é que em pouco tempo estouraram mais de 170 focos na Inglaterra de uma só vez. Isso mostra que o sistema sanitário deles é tão ou mais problemático que o nosso e eles perderam o controle da situação, criticou. Só que aqui, temos auto-crítica, acrescentou.
Gazzoni disse que que será muito difícil reverter esse processo de contaminação no rebanho bovino porque os países da União Européia não trabalham mais com o sistema de barreiras, como o Brasil ainda mantém entre os Estados. As barreiras aqui funcionam como um cordão de isolamento que ajudam a controlar qualquer ocorrência da doença, o que não está acontecendo por lá, porque a doença já chegou na França, explicou. De acordo com o consultor, a proliferação da doença da vaca louca mostra bem essa falta de controle.
Sobre o pânico provocado na população européia, Gazzoni disse que isso nada mais é do que uma reação do consumidor que não acredita mais em seus governos. Primeiro foi a doença da vaca louca, depois a ração animal contaminada com dioxina e agora a febre aftosa. A ocorrência de todos esses casos tiraram a credibilidade que o consumidor europeu tinha em seus governantes.
Segundo Gazzoni, agora é preciso um trabalho com uma geração inteira para restabelecer a credibilidade nos governantes. Os países europeus precisam repensar suas estratégias e estabelecer fronteiras sanitárias entre os países para evitar o efeito dominó de incubação das doenças. (V.C.)


