Pesquisador diz não acreditar em debandada de agricultores
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Rio Grande do Sul deve colher 7,78 milhões de toneladas de soja em 3,54 milhões de hectares, com produtividade média de 2,2 toneladas por hectare. E os produtores gaúchos defendem o cultivo de soja transgênica sob a alegação de redução de custos e aumento de produtividade. Argumento nada convincente, na avaliação de Luiz Carlos Miranda, pesquisador e gerente da área e negócios tecnológicos da Embrapa Soja, de Londrina. ''A apologia sobre qualidade e custos é precipitada. Como esse cultivo continua proibido no País, por medida judicial, não dá para compará-lo com o do material convencional. Portanto, não dá para falar sobre isso'', afirma.
Para Miranda, pode estar ocorrendo uma confusão, já que o Rio Grande do Sul tem problemas sérios com o controle de ervas daninhas. Mas como o uso do herbicida Roundup diminui a população das invasoras e melhora a colheita há uma aparente melhoria da produtividade. ''Mas não há a mínima possibilidade de se fazer comparação de valores, mesmo porque o material utilizado lá é contrabandeado da Argentina e, portanto, sem custo, sem pagamento de royalties pela genética e taxas pela transgenia'', diz.
O pesquisador entende que a soja da Monsanto será mais uma opção a ser colocada à disposição do agricultor, assim que a Justiça autorizar o cultivo. Mas não traz nada de extraordinário, enquanto solução tecnológica, como uma variedade resistente à uma doença importante. E, comercialmente, o material só poderá estar disponível no mercado quatro safras, porque o Brasil tem apenas semente genética das instituições de pesquisa. Caso fosse liberada hoje, até chegar à mão do agricultor, esse material teria de passar pelos estágios de sementes básicas, certificada e fiscalizada. Portanto, só estaria disponível para a safra 2006/07. ''Mas não acreditamos em debandada do agricultor para a soja transgênica'', comenta Miranda.
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