A evolução do milho safrinha no País, que vem conquistando maior espaço em detrimento do trigo, é um dos assuntos da palestra de hoje do pesquisador Flávio Lazzari, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) no fórum ‘‘Valorização da Produção e Conservação de Grãos no Mercosul’’, que está sendo realizado no Hotel Sumatra. Lazzari também aborda a importância da qualidade física, sanitária e nutricional de grãos e subprodutos.
Nos últimos dez anos, a área de plantio de milho safrinha no País passou de 833,3 mil ha para 2,057,1 milhões de ha. Para Lazzari, o alto custo de produção do trigo, a preferência da indústria moageira pelo trigo importado, a falta de uma política clara do governo em relação à cultura e a falta de preço base que permita retorno ao produtor foram os principais fatores que levaram os produtores a optarem pela cultura de milho.
Outro ponto destacado pelo pesquisador é o aumento da procura pela produção brasileira, mais valorizada por não ser transgênica. Atualmente, o Brasil produz 7 milhões de t de milho safrinha - segundo dados da organização do evento -, sendo que 40% são produzidos no Paraná.
Após 17 anos sem exportar o produto, o País voltou a fazê-lo este ano, embarcando 2,7 milhões de toneladas. ‘‘Se a exportação brasileira se consolidar, o trigo terá dificuldades para recuperar a área perdida para o milho safrinha’’, afirma Lazzari.
Lazzari também critica a posição do governo federal, que não estaria se empenhado na divulgação dos produtos agrícolas do Brasil no exterior. ‘‘O milho exportado este ano pelo Brasil não foi mérito nenhum do governo. O Brasil não possui escritórios fora daqui para promover nossos produtos. Nossas embaixadas e consulados não contam com adidos agrícolas. Poderíamos estar vendendo mais’’, diz ele.
Livro Durante o fórum também será lançado um livro sobre silagem de grão úmido de milho, que teve sua pesquisa e uso retomado no Paraná há cinco anos, e que vem conquistado um número expressivo de criadores de suínos no Estado e no Brasil pela praticidade e economia da tecnologia. O livro foi escrito por pesquisadores do Paraná e Santa Catarina e editado pelos pesquisadores Sônia e Flávio Lazzari, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que também assinam capítulos da publicação.
Segundo Flávio Lazzari, os estudos sobre silagem de grãos úmidos de milho nasceu da necessidade em reduzir os custos da alimentação com milho para suínos, que tem um peso de mais de 55% na produção, dependendo da fase do animal. A tecnologia é européia e requer a colheita do milho com 30% a 34% de umidade, trituração e acondicionamento em silo trincheira. ‘‘É uma tecnologia flexível e adaptável, podendo ser usada pelo pequeno, médio e grande produtor. Não exige estrutura sofisticada e reduz o custo final do milho em 25%’’ , explica.

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