O trabalho ‘‘As dimensões da sustentabilidade: um estudo da agricultura orgânica na Região Metropolitana de Curitiba’’ foi apresentado ontem, em Curitiba, pelo pesquisador Moacir Darolt. O trabalho faz parte de um estudo analítico da agricultura orgânica sob diferentes dimensões da sustentabilidade, avaliando aspectos socioculturais, técnico-agronômicos, econômicos, ecológicos e político-institucionais.
Foram coletados dados em 57 propriedades, que trabalham com o sistema de agricultura orgânica, pertencentes a 12 municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Segundo Darolt, no Rio Grande do Sul, a agricultura orgânica se transformou em prioridade para a extensão rural. O pesquisador acredita que essa seja a tendência para a agricultura paranaense. O Paraná é o Estado brasileiro que possui o maior número de propriedades com certificação de produtos orgânicos no Brasil. Além disso, o Conselho Estadual de Agricultura Orgânica está preparando um programa chamada ‘‘Projeto Paraná de Agricultura Orgânica’’.
Está previsto para 2001 a realização de um encontro paranaense de agricultores orgânicos. ‘‘A transferência da prática agrícola convencional para a orgânica é uma tendência desde os produtores de soja até os de alface, passando pelo café e açúcar mascavo, por exemplo’’, conta.
Para os produtores, uma das principais vantagens da agricultura orgânica é a viabilização econômica. O trabalho de Darolt constatou que uma propriedade que produza hortifrutis pelo sistema convencional na RMC tem uma renda média mensal de R$ 588,00. Nas propriedades em transição (que estão entre um e quatro anos sem uso de agrotóxico), a renda mensal média sobe para R$ 1,8 mil. Na propriedades com mais de quatro anos em agricultura orgânica o rendimento por mês fica em R$ 4,2 mil.
Um dado surpreendente da pesquisa realizada por Darolt é que as vantagens econômicas não são o maior atrativo para os produtores que resolveram entrar na agricultura orgânica. Em 68% dos casos, a razão para iniciar a agricultura orgânica foi melhorar a saúde da família. Os rendimentos econômicos apareceram em 66% dos casos. Em terceiro lugar ficou a convicção ideológica, com 35% das respostas. ‘‘O produtor um pouco mais esclarecido sabe que o uso de produtos químicos prejudica a saúde de quem produz e de quem consome.’’
A Secretaria de Estado da Saúde constatou que 22% das hortaliças vendidas no Paraná entre 1992 e 1999 possuíam resíduos de produtos químicos. Desse total, 4% estava com índices residuais acima dos permitidos por lei. ‘‘Com a agricultura orgânica, deixaria de existir risco de contaminação dos consumidores’’, explica Darolt.

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