Brasília - A falta de investimentos em pesquisa agropecuária seria a causa da ocorrência de problemas fitossanitários como a ferrugem asiática que atingiu as lavouras de soja e a Sigatoka Negra que atingiu os bananais do Vale do Ribeira, em São Paulo, segundo o presidente da Câmara Temática Agrária, José Levi Pereira Montebelo. Ele participou ontem de uma reunião no Ministério da Agricultura e disse que a falta de verbas impede a pesquisa para desenvolvimento de variedades resistentes a essas doenças.
Dados apresentados na reunião pelo engenheiro agronômo Décio Luiz Gazzoni, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mostram que os aportes para pesquisa caíram de forma significativa nos últimos anos. De acordo com valores atualizados em junho de 2004, o orçamento total da Embrapa foi de R$ 1 bilhão em 1992, pico de liberações, informou Gazzoni. Em 2004, esse montante caiu para R$ 240 milhões.
''Os números da Embrapa serviram para a base de cálculo, mas os investimentos em outras instituições de pesquisa caíram no mesmo ritmo'', argumentou Montebelo. Gazzoni citou ainda que o País investia, em 1979, 0,45% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio na Embrapa. Apesar do avanço do setor nos últimos anos, esse investimento é de 0,04% do PIB neste ano. ''Ou seja, apesar do avanço do agronegócio, o investimento atual é um décimo do que já foi investido'', completou o engenheiro agronômo. Ele também disse que 1982 cada brasileiro contribuía com R$ 8,30 para pesquisas da Embrapa. Em 2004, esse montante caiu para R$ 1,33, valor obtido a partir da divisão do orçamento da estatal pela população nacional.
O recado do pesquisador da Embrapa foi claro: não investir hoje pode significar, no futuro, barreiras fitossanitárias intransponíveis que podem dizimar determinadas culturas. Nesse grupo, o presidente da câmara incluiu os bananais de São Paulo, que estão sendo atacados pela Sigatoka Negra. ''Já há registro de foco em seis municípios. O problema social em São Paulo será muito grave'', disse Pereira, considerando que a maior parte da produção de banana está em pequenas propriedades. Apesar de São Paulo responder por 37% do agronegócio total do País, lembrou, ''apenas'' 0,8% do orçamento é investido na Secretaria de Agricultura, responsável, entre outros, pela pesquisa. ''O que você acha que dá para fazer com isso?'', questionou ele. A necessidade de investimento em pesquisa será apresentada ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.

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