O esboço do perfil de quem consome filmes e músicas ''piratas'' pela internet revela uma pessoa jovem e majoritariamente de classes intermediárias e baixas. Porém, o hábito está disseminado em todas as camadas da sociedade. A pirataria é um dos pontos nevrálgicos dentro das discussões das políticas públicas de proteção aos Direitos Autorais em propostas como o Marco Civil da Internet.

Para definir quem é o pirata on-line brasileiro, o Intituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) utilizou a Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil - TIC Domicílios 2010 do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Assim, teve acesso a uma base de dados de 10,6 milhões de usuários no País e chegou a um número de 34,7 milhões de baixadores de filmes ou músicas dos quais 8,62 milhões, ou 41%, foram considerados ''piratas'' por não terem comprado estes conteúdos.

O estudo mostrou que a renda é um dos fatores determinantes para o consumo de conteúdo pirata: a maior faixa dos usuários que baixam filmes e músicas da internet estão nas classes D e E (96%), não têm emprego (95%) e residem na Região Nordeste (86%). ''Das cinco regiões, a Nordeste é a que tem o menor PIB per capita'', observa o técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA, Rodrigo Abdala. Mesmo que o consumo de conteúdo pirata envolva riscos de segurança, qualidade inferior da mídia e custos legais, quem possui menor renda prefere não ter que pagar pelo conteúdo.


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