Pesquisa traça diagnóstico do comércio no PR
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sábado, 06 de setembro de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma pesquisa de opinião realizada pela Federação de Comércio do Paraná indicou que o empresariado do comércio de bens, serviços e turismo está em alerta. Apesar da leve queda de 88,08% para 84,90% no percentual de otimistas com o desempenho do setor no segundo semestre do ano, foram apontados como ''vilões'', a carga tributária e encargos sociais elevados; carência de mão-de-obra qualificada; insuficiência de capital de giro e alto custo dos produtos.
Para o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac, Darci Piana, o número não preocupa porque boa parte das respostas tiveram origem em grandes empresas que estão ligadas à economia mundial. ''A crise imobiliária norte-americana está empurrando para baixo o consumo daquele país, que é o maior importador mundial. Se os Estados Unidos deixarem de comprar, a pauta de exportações de muita gente será prejudicada'', diz, referindo-se às empresas de grande porte que têm investimentos estrangeiros ou atuam com exportação e importação, propensas a alterações de taxas cambiais do dólar.
Piana ainda destaca que o comércio no Estado vive uma realidade diferente. O interior está aquecido, em especial de locais de forte agricultura, que com a boa fase, mantém as vendas de bens de consumo e capital. O aumento dos índices de empregos com carteira assinada e a facilidade em se adquirir crédito, são fatores que empolgam o comércio. Ainda segundo o presidente, se por um lado, o Brasil sofre com taxas de juros, há compensação com o maior volume de compra, impulsionado pelas classes C e D que mudou de perfil - deixou de comprar o básico para a sobrevivência, dando-se o direito de adquirir eletroeletrônicos, serviços e alimentos mais elaborados.
Piana relata que as pequenas e médias empresas estão aproveitando a conjuntura para qualificar pessoal e investir em gestão, para conquistar clientes. Um mesmo mal atinge empresas de todos os portes: a queda das margens de lucro em decorrência da competitividade. A entrada de produtos asiáticos a preços bem mais em conta, assusta o fabricante nacional. ''A empresa está sendo obrigada a vender mais barato e com mais qualidade para ganhar espaço dos concorrentes. Isso abala o otimismo do comércio, mas há setores que se equilibram com o volume das vendas'', analisa.
O segmento de produção de veículos automotores lidera com 26%, a alta de crescimento em vendas no País, em relação ao mesmo período do ano passado. Na segunda posição, o material de construção aparece com 23,8%. Para o fim do ano, a Fecomércio acredita que estes números se manterão. Na economia paranaense, ambos setores já são destaque na balança do Estado. A entidade acredita em um aquecimento de 15% no Natal, data mais importante para o comércio.
Dos 1100 questionários distribuídos para empresas de todos os portes, em todas as regiões do Estado, 249 deles foram respondidos. O retorno obtido fornece, sob a ótica da estatística, uma representatividade da amostra de 95% de confiabilidade à sondagem para uma margem de erro pré-estipulada de 7%. Os questionários foram enviados e respondidos no período junho/julho de 2008.


