O Brasil está buscando novas variedades de tangerina para concorrer no mercado internacional e também para expandir o mercado interno, informou ontem Rose Mary Pio, coordenadora da 4ª edição do Dia da Tangerina, no Centro de Citricultura, em Cordeirópolis (SP). Segundo ela, das 42 variedades desenvolvidas a partir de espécies importadas, dez foram selecionadas para testes em regiões de Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Minas e Rio Grande do Sul.
A expectativa é de que após duas ou três safras destas variedades seja possível definir uma delas para ser produzida em escala comercial. ‘‘É um projeto que demanda tempo para pesquisas e deve ser concluído apenas a longo prazo’’, comentou.
Atualmente, das cerca de 20 milhões de caixas produzidas de tangerina no Brasil, 65% são da variedade ponkan. ‘‘Isso acaba restringindo o mercado, porque a produção fica concentrada em apenas quatro meses do ano, a demanda se esgota com a elevada oferta neste período e deixa de existir em outras épocas’’, avalia o engenheiro agrônomo Marcos Pozzan, da Montecitrus, de Monte Azul Paulista (SP).
Segundo ele, o interessante para o Brasil seria desenvolver variedades na entressafra da ponkan para conquistar mercado interno. ‘‘O Brasil teria capacidade de absorver pelo menos o dobro do volume produzido hoje’’, acredita o agrônomo.
Segundo Antônio Ambrósio Amaro, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), o interesse do mercado internacional pela ponkan também vem crescendo. Na safra passada o Brasil exportou 12 mil toneladas de tangerina, ante cerca de sete mil na safra anterior. A maior parte deste mercado consumidor é asiática. ‘‘Temos condições de crescer muito mais nesta área’’, acredita.
O próprio Amaro, no entanto, diz que é preciso cautela do produtor para que a produção não seja elevada repentinamente, superando a oferta. Segundo ele, o Brasil ainda possui cerca de 1,1 milhão de árvores para entrar em produção, além das 9 milhões que já estão produzindo. ‘‘Se todos começarem a ver na tangerina a alternativa financeira , o preço cai’’, avalia, lembrando que muitos produtores partiram em busca deste ‘‘caminho rentável’’ há cerca de cinco anos, quando estudos apontaram que a tangerina era resistente ao CVC, ou amarelinho.

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