Arquivo FolhaFórmula mundialFábrica de cabines da Volvo reproduz em Curitiba tecnologia empregada nas unidades da Suécia e EUAUma pesquisa realizada pelo Instituto de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostra que a produtividade da indústria brasileira deu um salto nos últimos quatro anos em relação ao início da década. Entre 1994 e 1997, de seis indicadores que medem o desempenho dos fabricantes do setor metal-mecânico, todos registraram taxas de crescimento superiores às obtidas nos quatro anos imediatamente anteriores. O tempo gasto para entrega dos produtos, a pontualidade com que essa tarefa é realizada e o giro dos estoques, por exemplo, aumentaram 94%, 100% e 65%, respectivamente. Entre 1990 a 1993, as taxas de crescimento desses três indicadores não superaram a casa de 30%.
Desde 1990, o Instituto de Pós-Graduação m Administração da UFRJ acompanha sistematicamente a produtividade de 28 empresas representativas da indústria metal-mecânica. O ramo metal-mecânico da indústria engloba desde a fabricação de latas para refrigerantes até a produção de autopeças e eletroeletrônicos. Ficam fora desse rol apenas a indústria de alimentos e de produtos de higiene e limpeza.
‘‘De 1994 a 1997, o índice de produtividade se acelerou’’, afirma o diretor do Centro de Estudos em Logística da UFRJ e responsável pela pesquisa no Brasil, Paulo Fernando Fleury. Na sua análise, esse salto nos últimos quatro anos reflete uma combinação dos grandes investimentos em equipamentos mais modernos com o aperfeiçoamento do uso de técnicas para gerenciar a produção.
No ano passado, por exemplo, a pesquisa revela que para cada mil empregados na indústria metal-mecânica existiam 0,6 robô, exatamente o dobro do que havia em 1993. No caso dos centros de usinagem usados no controle das uinas, a diferença é ainda maior. Em 1993, existiam 0,8 centros de usinagem para cada mil funcionários e, no ano passado, essa proporção subiu para 3,2. No caso das máquinas de controle numérico, que são sistemas tecnologicamente mais rudimentares, houve redução: em 1993 existiam 12,9 para cada mil e, em 1997, essa proporção caiu para 9,03.
Já a adoção pelas empresas de práticas gerenciais que tornam a produção mais eficiente diminuiu de 1993 para 1997. No ano passado, das 27 técnicas adotadas no mercado, somente três aumentaram sua participação entre as companhias pesquisadas e as demais registraram retração. Segundo Fleury, esse recuo mostra que algumas técnicas não são boas para determinadas linhas de produtos ou esgotaram-se os ganhos de produtividade que elas podem proporcionar. Ele ressalta também haver casos em que os equipamentos mais modernos acabam dispensando o uso de algumas técnicas.
O especialista divide o processo de modernização da indústria em duas etapas. Até 1990, quando a economia era fechada, não havia estímulo para modernizar a produção pela falta de concorrência externa. Além disso, com a inflação alta era possível repassar as ineficiências da produção automaticamente para os preços.
Com a abertura comercial a partir de 1990, as empresas procuraram aumentar a produtividade por meio de técnicas de gerenciamento, com a adoção de programas de qualidade total, entre outros. ‘‘Investir em tecnologia nessa época era pouco interessante, quando não impossível, por causa do custo do capital’’, diz Bill Jones, sócio-gerente da empresa de consultoria norte-americana McKinsey e coordenador de um recente estudo sobre a produtividade no País realizado pela empresa.

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