Pesquisa revela pessimismo na construção civil
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terça-feira, 08 de junho de 2004
Agência Estado 
São Paulo - A 19 Sondagem Nacional da Construção Civil, realizada pela Gvconsult, da Fundação Getúlio Vargas, a partir de dados dos sindicatos estaduais da indústria de construção, revela que, em maio, os empresários do setor já não sustentavam as expectativas positivas em relação à conjuntura econômica verificadas no levantamento anterior, realizado em fevereiro.
O arrefecimento do ânimo dos construtores, segundo a pesquisa de opinião, foi motivado pela demora na definição dos marcos regulatórios de infra-estrutura, ausência de demanda que justificasse a manutenção de projeções otimistas, indefinição quanto à política habitacional, entre outros fatores. Realizada antes da divulgação dos números trimestrais do setor pelo IBGE, a pesquisa mostra ainda que os empresários da construção civil já temiam a manutenção da tendência de queda no produto interno.
No final de maio, o IBGE divulgou os resultados trimestrais da economia nacional e embora o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tenha crescido 2,7% no período, a indústria de construção verificou queda de 2,3%, a quinta retração trimestral consecutiva.
De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), à primeira vista, o resultado da sondagem surpreende, uma vez que alguns indicadores do setor, como o nível de emprego, indicam uma sensível melhora no cenário da construção. Nos quatro primeiros meses do ano, o número de postos de trabalho no setor cresceu, com a abertura de 40,9 mil vagas no quadrimestre.
Segundo a 19 sondagem, os indicadores que mostram as expectativas dos empresários para os próximos meses, como desempenho, dificuldades financeiras e evolução de custos, acusaram ''piora expressiva'' em comparação à pesquisa de fevereiro. A maior diferença ficou por conta das expectativas para a conjuntura econômica, com queda de 22%.
Os construtores observaram ainda uma pequena melhora nas projeções de desempenho das empresas, porém o indicador ainda está distante daquele que sinaliza um desempenho favorável.
Na contramão do empresariado, o economista-chefe do Bradesco e membro da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Octávio de Barros, aposta na recuperação dos negócios da construção civil em 2004.
Barros, que participou de um evento promovido pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) na semana passada, afirmou, com base em dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ), que o PIB do setor poderá crescer até 4,3% neste ano. No ano passado, a indústria da construção verificou queda de 8,6% no PIB.


