Pesquisa revela otimismo da indústria
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de maio de 1999
Agência Estado 
As indústrias brasileiras estão otimistas quanto à possibilidade de retomar, no trimestre abril/junho de 1999, parte da produção e do faturamento perdidos a partir do segundo semestre de 1998, mas o processo ainda é tímido e não resultará em aumento no nível de emprego.
A conclusão é da 131ª Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, pesquisa trimestral divulgada ontem pelo Centro de Estatísticas e Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV). Segundo o estudo, só 19% das empresas querem elevar sua capacidade produtiva, e 25% demitirão.
A pesquisa detectou que 48% das empresas esperavam aumento da demanda, contra 14% que previam diminuição. O índice foi ligeiramente melhor que o do mesmo mês de 1998, quando 42% das indústrias esperavam elevação na procura, para 10% que esperavam queda. A sondagem também constatou que as mudanças no comércio exterior ajudaram a animar os empresários. Em abril, houve empate técnico entre quem classificava como forte a demanda externa e quem a chamava de fraca (15% a 16%). Em janeiro, 43% das indústrias diziam que a demanda externa por produtos brasileiros era fraca, e apenas 3% diziam que era forte.
A mudança em abril está associada à mudança do câmbio (desvalorização do real, que tornou os produtos brasileiros mais baratos), afirmou o economista Salomão Quadros, da FGV. Segundo ele, há uma reversão de expectativas favorável, mas pouca coisa concreta já está realmente acontecendo.
Para 48% das empresas, será necessário aumentar a produção, e para 12%, diminuir. Os números parecem os de abril de 1998, quando 45% das indústrias estavam otimistas, e 10%, pessimistas. Segundo Quadros, a projeção de pesquisas passadas indica que o aumento, se confirmado, resultará em crescimento sobre o trimestre janeiro/março, de 10% na produção industrial, que mesmo assim ficaria 7% abaixo de abril/junho de 1998. A sondagem constatou ainda que 13% das empresas avaliam que estão com estoques excessivos, contra 2% que os chamaram de insuficientes (em janeiro, era 15% a 4%, respectivamente). O otimismo também é forte nas previsões para os próximos seis meses.
A 131ª Sondagem Conjuntural pesquisou 1.330 indústrias, que em 98 faturaram R$ 139,9 bilhões e empregaram 788.283 pessoas, em 120 ramos industriais. Elas representam cerca de metade do PIB industrial brasileiro (de aproximadamente R$ 250 bilhões).


