Traçar um paralelo entre o perfil do empreendedor e a mortalidade de micro e pequenas empresas londrinenses foi o objetivo da dissertação de mestrado do professor de Administração de Empresas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Filadélfia (Unifil) Ivan de Souza Dutra. Ele entrevistou dirigentes de 262 empresas de um universo de 9.754 que abriram formalmente e encerraram as atividades oficialmente no período de 1995 a 2000 no município.
Os motivos alegados pelos dirigentes para o encerramento das atividades levou o professor a concluir que a maioria deles não pode ser considerada com características do empreendedor de sucesso. Dos entrevistados, 40% apontaram motivos de caráter pessoal ou razões particulares para fechar a empresa. Entre os motivos citados estavam necessidade de dedicar-se aos estudos e à família, falta de perspectivas futuras e até mesmo falta de confiança em Deus.
''O empreendedor se realiza nos negócios e muitas vezes até leva toda a família para trabalhar com ele. Jamais ele fecha um negócio para estudar e quando encerra uma atividade já está se preparando para abrir outro negócio'', comenta o professor.
Ele ressalta, porém, que não há uma definição específica sobre o perfil do empreendedor. Existem sim definições genéricas e que possuir características psicológicas e psicossociais de empreendedor não é garantia de sucesso ao abrir um negócio próprio.
Outro dado importante apontado pela pesquisa de Dutra foi que a grande maioria das micro e pequenas empresas que encerraram as atividades no período estudado não realizaram pesquisa empresarial ou plano de negócios antes de abrir as portas.
Entre os entrevistados, 91,98% responderam que não fizeram pesquisa de mercado antes de abrir o negócio próprio; também não fizeram o estudo de viabilidade econômico-financeira (93,51%); o estudo de viabilidade técnica (95,80%) e nem os estudos ambientais e de responsabilidade social (99,62%).
''Verifica-se um quase total desprezo do dirigente para o levantamento de informações consistentes e desenvolvimento de ferramentas de apoio à gerência para iniciar o negócio'', comenta o professor. Outra conclusão do estudo de Dutra é que 29,01% abriram negócio próprio por falta de trabalho, sendo alto o índice de participação de aposentados e desempregados nestas empresas.
''Dentre as razões de maior frequência que levaram os dirigentes a abrirem suas empresas, algumas estão relacionadas às causas de primeira necessidade e não de auto-realização'', conclui Dutra. Esse motivo também demonstra distanciamento do perfil empreendedor de sucesso, cita o professor na dissertação. Segundo ele, aqueles que abriram empresas por motivo de realização profisssional conseguiram deixá-las ativas por mais tempo, permitindo aproximá-los do empreendedor bem sucedido.
Das empresas estudadas por Dutra, 48,9% encerraram as atividades no primeiro ano de atividades; 31,15% no segundo ano; 12,60% no terceiro ano; 6,49% no quarto ano; e o restante no quinto ano estudado. ''As empresas que foram abertas com o apoio da família sobreviveram mais tempo, em torno de três anos'', informa.

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