Sem conhecimento e avesso aos investimentos em fundos de renda variável. Duas características que colaboram para que pouco menos de 1% dos brasileiros invistam na bolsa de valores. Apesar da BM&FBovespa ser uma das principais bolsas do mundo, poucos ainda se arriscam em aplicar seu dinheiro neste tipo de investimento. Uma pesquisa realizada pela TOV Corretora, que possui escritórios por todo o País, apontou que 43% dos entrevistados conhecem muito pouco sobre a bolsa e outros 24% acham que não tem tempo para aprender sobre o assunto.
O alto percentual nestes quesitos faz com que o brasileiro, então, opte por aplicações que consideram de menor risco. 25% dos entrevistados escolheu a poupança, seguido dos fundos de renda fixa (21%), como o CDB, por exemplo. A escolha pela renda variável fica atrás, inclusive, da opção por investimento em imóveis: 13% contra 8%.
De acordo com Cauê Penedo, diretor da TOV, o brasileiro possui uma cultura pobre para investimentos. O problema fica ainda mais crítico quando se trata de renda variável, na qual os investidores possuem um tabu sobre o assunto. ''Nos Estados Unidos, por exemplo, as pessoas têm uma cultura, educação, no que diz respeito a aplicações na bolsa. Algo que surge nas escolas logo na formação das crianças, inclusive'', salientou ele.
Outro dado interessante do levantamento da corretora é que 14% dos entrevistados não acredita que tenha dinheiro suficiente para aplicar na bolsa de valores. Fato completamente infundado, segundo Penedo. Para o consultor, é possível investir uma pequena quantia de dinheiro mês a mês na BM&FBovespa. ''Hoje em dia, é possível encontrar ações de construtoras a R$ 3,60 o papel. Outra alternativa para o investidor mais receoso é ir aplicando o dinheiro na poupança até conquistar confiança para partir aos fundos de renda variável.''
O levantamento apontou ainda que alguns investidores consideram que quando a Ibovespa cai, de um dia para o outro, já é o suficiente para se perder dinheiro no mercado de ações. Por outro lado, 45% acredita que a bolsa representa um mercado de longo prazo. ''Isso mostra uma evolução de pensamento. O especulador geralmente é o que perde dinheiro, aquele que ingressa sem conhecimento algum, comprando as ações em alta no momento errado'', relatou Penedo.
Ele disse ainda que 53% dos entrevistados consideram que tem um perfil moderado de investimento, contra 37% conservador e apenas 11% se avalia como agressivo. ''Um investidor com perfil moderado pode ser avaliado como aquele que pulveriza suas aplicações entre fundos de renda fixa e variável, não apostando todas as suas fichas em apenas um tipo de investimento'', complementou o consultor.

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