Pesquisa registra IPCA alto na Capital
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quinta-feira, 11 de março de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo segundo mês consecutivo, Curitiba registrou o maior Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre as nove capitais pesquisadas. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado ontem, a variação na capital paranaense, em fevereiro, foi de 1,01%, bem acima da média nacional de 0,61% e quase três vezes superior ao índice de Salvador (BA), que registrou a menor alta de preços (0,36%). Em janeiro, o IPCA de Curitiba foi de 1,45%. A média nacional no mês passado apresentou recuo de 0,15% em relação a janeiro, quando o índice ficou em 0,76%.
A gerente do Sistema de Índices de Preços ao Consumidor do IBGE, Eulina Nunes, avalia que o IPCA em Curitiba sofreu o impacto de itens de maior peso para as famílias com renda de até 40 salários-mínimos (universo da pesquisa) e, por isso, o alto índice inflacionário. Foram eles: o gás de cozinha (1,22%), automóveis novos (2,34%), gasolina (2,97%), álcool (2,51%) e remédios (0,86%). ''Em Curitiba, quase tudo cresceu mais do que a média nacional'', destacou.
Para ter uma idéia da distância de Curitiba em relação as outras oito regiões pesquisadas, Eulina lembrou que as médias nacionais foram de 0,49% para o gás de cozinha, 1,56% para os automóveis novos e de 0,19% para a gasolina. Nos outros dois itens houve, inclusive, queda nas médias nacionais. O preço do álcool teve redução de 2,54% e os remédios tiveram queda de 0,23%. ''Só os alimentos que caíram 0,34% em Curitiba, quando a média nacional ficou em 0,15%, o que é um dado interessante'', observou.
Na avaliação do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos (Dieese) do Paraná, Curitiba apresentou alta no índice de inflação pelo segundo mês seguido porque em 2003 aumentos como o da energia elétrica (que ocorreu em janeiro) e o da água e esgosto (que aconteceu na metade de janeiro e, por isso, teve impacto também em fevereiro) foram segurados. ''Não dá para dizer que a inflação está explodindo em Curitiba. A Capital teve o menor índice em 2003 e essas altas só são reflexos de aumentos contidos no ano passado'', explicou o economista do Dieese, Cid Cordeiro.
Nos dois primeiros meses do ano, o índice acumulado em Curitiba foi de 2,48%, também o maior resultado entre as outras regiões. A média nacional acumulada em janeiro e fevereiro foi de 1,37%. abaixo dos 3,86% relativos a igual período de 2003.
O IBGE também divulgou ontem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), onde Curitiba figura em quinta colocada, com variação de 0,66% em fevereiro. O resultado também é bem superior à média nacional de 0,39% e mais de seis vezes o índice de São Paulo (0,10%). Apesar disso, o índice de fevereiro na Capital paranaense ficou 0,96% inferior ao de janeiro, que foi de 1,62%. O maior índice foi registrado em Brasília (1,03%). O INPC refere-se às famílias com rendimento de um a oito salários mínimos.(Colaborou Andréa Bordinhão)


