Comandatuba - O ministro Roberto Rodrigues disse que já começa a falta recursos para a pesquisa. ''Só para comparar: a pesquisa brasileira, em todas as áreas, tem um orçamento de R$ 5 bilhões, enquanto nos EUA o valor chega a R$ 350 bilhões. Nós tivemos que suplementar o orçamento da Embrapa abrindo mão de parte do orçamento do ministério, o que representou um corte de cerca de 80%'', explicou.
O dinheiro, segundo ele, não vai ser suficiente para atender as prioridades do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). ''Nossa maior prioridade no momento é o controle sanitário. Essa é uma preocupação muito grande porque nem todos os governos estaduais estão envolvidos na questão. E isso pode vir a refletir nas exportações'', disse. O ministro lembrou que no último episódio de aftosa, registrado no ano passado no Amazonas, a Indonésia suspendeu a importação de farelo de soja do Rio Grande do Sul. ''O que tem a ver o Rio Grande com o Amazonas? Nada, mas isso exemplifica a visão do mercado externo sobre o controle sanitário'', apontou.
Rodrigues pediu o envolvimento dos produtores para a questão, seja vacinando o gado ou cobrando dos governos municipais e estaduais maior rigor na sanidade. Para ele, sem esse envolvimento, o Mapa sozinho não terá condições de fazê-lo.
A parceria com o setor privado também a solução que ele vê para compensar o pouco investimento do governo em pesquisas. ''Isso já vem acontecendo em países como a Austrália e está funcionando bem'', garantiu. Porém, há limitações, segundo ele. ''O poder público nunca vai poder se afastar totalmente, principalmente porque o setor privado quer investir em resultados mais imediatos. A função da pesquisa é básica: responder demandas atuais e rasgar a cortina do futuro. Talvez possamos conciliar as duas, deixando o futuro com o poder público'', explicou. (T.E.)

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