Mogi das Cruzes - Segundo perspectiva da Agência para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO) e da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a produção agrícola brasileira deve crescer 40% nos próximos 10 anos. Na última quinta-feira, três pesquisas desenvolvidas no Paraná voltadas ao aumento de produtividade e rentabilidade na agricultura alcançaram reconhecimento nacional. Representando os segmentos da universidade, revenda de insumos e consultoria, os trabalhos foram vencedoras do Prêmio Top Ciência 2011, iniciativa da Basf.
Os paranaenses estão entre os 25 premiados em todo o País, em uma disputa que totalizou 350 trabalhos inscritos. As pesquisas apresentadas englobam cerca de 20 cultivos, entre soja, milho, arroz, feijão, trigo, girassol, café, algodão, cana-de-açúcar, citros, amendoim e hortifrúti. Os vencedores receberam como prêmio uma viagem técnica à África do Sul.
O trabalho ''Uso de Comet na cultura da soja, proporcionando aumento no número de vagens'' representou Londrina na premiação da categoria Oleaginosas. O autor Fabio Takemi Mutta, da Agro 100, explica que o intuito era verificar a recomendação de uso feita pela Basf para o fungicida Comet. ''A indicação era de que traria mais folhas e vagens se fosse aplicado no estágio vegetativo. Eu fiz esse trabalho visando confirmar essas recomendações'', afirma.
O trabalho foi realizado na safra 2010/2011 em lavouras de três clientes da revenda Agro 100, localizadas em Cambé e Rolândia. ''O resultado foi positivo em todas as áreas, variando de nove sacas por alqueire até 17 sacas por alqueire'', avalia Mutta.
Na categoria Hortifrúti, foram premiados outros dois trabalhos do Paraná. João Batista Vida, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), recebeu o prêmio pelo trabalho ''Efeito de piraclostrobina+epoxiconazol no controle da podridão gomosa na cultura do melão nobre e na qualidade de frutos''. Segundo ele, o Brasil é o maior exportador de melão e a podridão gomosa é a principal doença que afeta a cultura.
''Verificamos que além do controle ao fungo, a piraclostrobina desencadeia mudanças na fisiologia da planta'', revela. O professor afirma que, ao potencializar a fotossíntese, o produto promove um aumento de 1,9 grau Brix, escala diretamente ligada à doçura do melão.
A pesquisa ''Avaliação dos efeitos do uso dos fungicidas pyraclostrobin, metiram e boscolida na produtividade, teor de sólidos e qualidade da batata (Solanum tuberosum L.) cultivar Atlantic'' resultou em prêmio a Marcel Dzierwa, consultor da Fazenda Serrana, no município de Palmeira, na região central do Estado. Segundo ele, os trabalhos realizados em 2008 e 2009 demonstraram que o uso dos produtos ocasionou em diferenças significativas no teor de sólidos e em redução de defeitos nos tubérculos. ''Tive uma rentabilidade de R$ 4,8 mil por hectare a mais, ou seja, 13% a mais de produtividade'', afirma.
Patentes
Levar maior produtividade ao campo por meio do estímulo à pesquisa científica é o objetivo do Top Ciência. Nesse contexto, a discussão sobre o baixo número de patentes registradas no País também marcou presença. De acordo com o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Unidade de Proteção de Cultivos para a América Latina da Basf, Leandro Martins, o número de patentes vem crescendo no Brasil.
Durante o evento, foram anuciadas duas novas patentes oriundas de discussões ocorridas no próprio Top Ciência. Uma delas, desenvolvida no Chile, aborda a utilização do produto fungicida Comet para redução do aborto de flores pistuladas em plantas de nozes. A outra está relacionada a sinergia entre herbicidas e fungicidas para melhorar a performance por meio de efeitos fisiológicos em várias culturas. O trabalho foi promovido por pesquisadores brasileiros.
* A jornalista viajou a Mogi da Cruzes a convite da Basf

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