‘‘Quem governa a Argentina, realmente?’’. A resposta à esta pergunta, feita pela consultoria Jorge Giacobbe e Associados, indicou que quase metade dos argentinos considera que embora formalmente o presidente da república seja Fernando de la Rúa, o comando do país está nas mãos do ministro da Economia, Domingo Cavallo.
A pesquisa indica que 43% dos consultados afirmam que o superministro é que tem as rédeas do governo, enquanto que somente 7,4% afirmam que o poder ainda está nas mãos do presidente De la Rúa.
Para 23,14% dos argentinos, o poder está dividido entre Cavallo e De la Rúa, enquanto que 22% acreditam que o comando do país não está dentro do território argentino, mas dividido entre o Fundo Monetário Internacional (FMI), os mercados e as multinacionais.
Desde que retornou ao Ministério da Economia, há quase dois meses, Cavallo assumiu um protagonismo que nenhum ministro dessa pasta teve neste país em toda sua história, não somente ditando linhas da política econômica, mas também reconfigurando as alianças políticas.
Logo em seus primeiros dias como ministro, Cavallo teve que desmentir rumores de uma renúncia de De la Rúa. Invertendo os papéis tradicionais, foi o ministro que precisou confirmar que o presidente continuava no cargo.
Desde que o hiper-cinético Cavallo retornou ao Ministério da Economia, o presidente De la Rúa praticamente desapareceu das notícias na mídia argentina. No mês de abril, segundo a Jorge Giacobbe e Associados, Cavallo foi mencionado 892 vezes nos jornais e revistas do país, enquanto que De la Rúa somente apareceu 366 vezes.
Com ironia, há poucos dias o jornal ‘‘Página 12’’ publicou uma foto-montagem de De la Rúa na qual o presidente está quase invisível dentro de seu terno.
A pesquisa também indicou que grande parte dos argentinos considera que Cavallo permanecerá longo tempo em seu cargo. Ao redor de 15% sustentam que ele ficará ainda mais um ano como ministro da Economia. Outros 22% afirmam que ficará mais de 12 meses, e 29,4% consideram que o ministro estará no governo até o fim do mandato de De la Rúa em 2003.

mockup