Pesquisa mostra que mulheres ganham 40% menos que homens
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segunda-feira, 03 de março de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - As mulheres ganham em média 40% menos do que os homens na Grande São Paulo. Segundo pesquisa da Fundação Seade, o salário médio pago às mulheres no ano passado era R$ 585,00, o equivalente a 60% da remuneração masculina. Essa é uma das informações que a Seade etá divulgando na home page Mulheres em Dados, lançada ontem.
Esse é um dado que ainda assusta muito, observou a diretora adjunta de Análise Socioeconômica da Fundação Seade, Felícia Reicher Madeira, que apresentou os principais resultados do primeiro levantamento sobre o mercado de trabalho feminino. Se comparados os rendimentos por hora, a mulher também leva desvantagem. Os homens recebiam, em 1996, R$ 5,00 por hora. As mulheres ganhavam em média R$ 3,50.
O salário médio mais alto é o do setor de serviços. As empresas dessa área pagavam em média R$ 721,00 às mulheres, 38% superior ao do comércio e 21% maior do que o da indústria. Isso se explica pelo elevado contingente de mulheres empregadas nos serviços públicos, que oferecem remuneração mais alta do que a do setor privado. As mulheres do setor público recebiam em média R$ 852,00 e as da iniciativa privada R$ 626,00.
Quem tinha seu próprio negócio ficou entre as que conseguiram alcançar o rendimento médio mais alto registrado pela pesquisa. As empregadoras receberam em média R$ 1.610,00 por mês. Esse rendimento, no entanto, equivale a apenas 65% do que ganharam os homens na mesma posição. As mulheres que ocupavam função de direção e planejamento recebiam em média R$ 1.555, três vezes mais do que os R$ 429,00 pagos às que ocupavam postos de execução.
A pesquisa da Fundação Seade, no entanto, mostra que as mulheres estão conseguindo emprego com mais facilidade do que os homens. A participação das mulheres no total de ocupados manteve-se crescente. Na década de 80, as mulheres respresentavam 38,4% dos ocupados na Grande São Paulo. No ano passado, esse porcentual saltou para 41,5%.
A maior parte do emprego feminino concentra-se no setor terciário. Do total de mulheres empregadas, no ano passado, 63,3% trabalhavam no comércio e serviços. O serviço doméstico empregou 18,3% da mão-de-obra feminina empregada. Esse porcentual é maior do que o registrado em toda a primeira metade da década de 90. Mas assim como para os homens, o desemprego feminino cresceu de forma brutal nos últimos anos. A taxa de desemprego entre mulheres saltou de 10,6% em 1989 para 17,2% no ano passado. O desemprego cresceu mais entre as jovens de 15 a 24 anos.


