Pesquisa mostra que argentinos querem Cavallo fora do governo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de outubro de 2001
Agência Estado<br> De Buenos Aires 
''Se você fosse presidente da República e tivesse que despedir um ministro porque ele é ineficiente, qual ministro você expulsaria?''. Esta pergunta, realizada pela consultora Jorge Giaccobe e Associados, indicou que 52,2% dos argentinos colocariam o ministro da Economia, Domingo Cavallo, no olho da rua. Em maio, quase dois meses depois de sua posse, a proporção de argentinos que pediam a cabeça do ''pai da conversibilidade econômica'' era de somente 26%.
O ministro menos impopular do gabinete do presidente Fernando de la Rúa é o chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini, que possui 3,4% de rejeição. Coincidentemente, Giavarini é um dos nomes cotados para substituir Cavallo em uma eventual renúncia.
No entanto, Giavarini - economista que controlou as finanças da cidade de Buenos Aires quando De la Rúa era prefeito - já deixou claro que na hora que deixar a chancelaria vai direto para casa, e que o Ministério da Economia é uma bomba-relógio que não lhe interessa em absoluto.
Enquanto que a população removeria Cavallo do comando da política econômica, os empresários deixariam o ministro onde está. Isso é o que indica uma pesquisa do IAE (a escola de negócios da Universidade Austral) que, entrevistando 230 altos executivos das principais empresas do país, descobriu que 92% querem que Cavallo fique, pelo menos, a curto prazo.
Grande parte dos analistas políticos descartam uma eventual renúncia do ministro. Para Carlos Bacman, do Centro de Estudos de Opinião Pública (Ceop), Cavallo ''é irremovível. As pessoas têm medo de sair da conversibilidade, e Cavallo é a garantia do sistema monetário''. Segundo o analista, uma substituição de Cavallo seria complicada na atual conjuntura.
Para o analista Rosendo Fraga, ''Cavallo continuará no ministério da Economia. Não sei se ele chegará até o fim do mandato de De la Rúa, em 2003, mas pelo menos ele continuará no cargo por um tempo depois das eleições''.
A pesquisa do IAE também sustenta que a principal criação de Cavallo, a conversibilidade econômica, que estabeleceu a paridade um a um entre o peso e o dólar em 1991, possui o respaldo de 29% dos empresários.
Outros 31% preferem a conversibilidade ampliada, também conhecida como ''cesta de moedas'', que inclui o euro no sistema monetário argentino, além do dólar e o peso.
Do total de empresários, 21% prefeririam a dolarização da economia, enquanto que a desvalorização, com uma flutuação da moeda como no sistema brasileiro, somente possui o apoio de 15%.
Outra idéia de Cavallo, o déficit fiscal 0% é quase uma unanimidade, com o respaldo de 90% dos empresários. Segundo a pesquisa, os empresários consideram que esta medida deve ser ''mantida até as últimas consequências''.
Além disso, a pesquisa do IAE afirma que 51% dos empresários colocam a existência de um grave déficit fiscal como a causa da recessão que já dura mais de três anos. No entanto, para 26% a causa está na falta de liderança política, enquanto que 8% culpam as crises econômicas internacionais.


