Pesquisa mostra novo perfil de consumidor
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de janeiro de 1997
Agência Estado 
RIO - O consumidor brasileiro pós-Real mudou o método de pagamento de suas compras: emite menos cheques, saca mais dinheiro para pequenas despesas, utiliza cada vez mais o expediente do cheque pré-datado e aumenta a média de valor dos cheques emitidos.
Em 1994, ano da criação do Real, a média foi de R$ 89 por cheque destinado ao comércio varejista e, no ano passado, de R$ 110. Os dados, divulgados pela empresa Teledata, que administra o sistema de consultas TeleCheque, indicam que a quantidade de cheques emitidos em 94 (345 milhões/mês) caiu 25% em 96, passando para 263 milhões/mês.
Apesar da redução, os cheques continuam responsáveis pelo maior movimento de caixa no comércio: 44% das compras são pagas em cheques (à vista e/ou pré-datados), 30% em dinheiro e 26% em cartão de crédito. Benito Paret, presidente da Teledata, credita a diminuição na quantidade de cheques emitidos na praça a dois fatores básicos: estabilização econômica e crescente automação bancária. Pelos dados da empresa, a redução substancial foi constatada nos cheques de valores inferiores a R$ 30.
Com a correção diária nas contas remuneradas, à época de inflação alta, o dinheiro não saía do banco e tudo era pago com cheque, agora não, diz Paret. A Teledata há 13 anos presta consultoria ao mercado varejista, avaliando a capacidade de crédito dos clientes.
Com base nestas consultas, reuniu também dados do Banco Central e da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito para montar o perfil do consumidor brasileiro nos últimos cinco anos.
O fenômeno do cheque pré-datado, que vem se firmando como principal instrumento de crédito do comércio na última década, tem se acentuado ano a ano. Em 1993, 43,97% das compras eram feitas por este sistema. No ano passado, a emissão de pré-datados representou 67,4% das compras, um crescimento de 52% em quatro anos.
Os próprios comerciantes apontam dois principais motivos para a utilização cada vez maior deste instrumento de crédito: a simplicidade de seu mecanismo, para o comprador e o vendedor, e o baixo custo.
Parcelar pagamento em cartões de crédito, por exemplo, sai muito mais caro para o consumidor. Os cheques pré-datados são normalmente repassados pelo comércio para empresas de factoring ou para os próprios bancos com deságio entre 4% e 4,5%. Os juros cobrados no cartão representam para o consumidor em torno do dobro da despesa extra acarretada pelo pré-datado.


