O brasileiro voltou a acreditar no sucesso do Plano Real e no governo Fernando Henrique Cardoso. Esta é a principal conclusão de pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Ibope, na qual foram ouvidas duas mil pessoas, maiores de 16 anos em todas as regiões do País, no período de seis a 10 deste mês. Conforme a pesquisa divulgada ontem pelo presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB/RN), o percentual dos entrevistados que acreditam que este será um ano bom ou muito bom passou de 62% para 64% e 39% deles - três pontos percentuais a mais que os da pesquisa de maio - acreditam que o real será um sucesso.
A mesma pesquisa indica que a aprovação do governo Fernando Henrique Cardoso e o grau de confiança no seu governo subiram de 49% para 54% no período de maio a agosto. O grau de desaprovação caiu de 42% para 40% e o de desconfiança foi reduzido de 45% para 40% nesse mesmo período. Os brasileiros entrevistados também estão de bem com a vida: 76% deles estão satisfeitos com a vida que levam. Um fato chama a atenção nesse indicador, destacou o senador Fernando Bezerra: o percentual dos que se declararam muito satisfeitos/satisfeitos foi de 80% para os entrevistados com até o curso primário completo, e de 79% para aqueles com renda familiar de até um salário mínimo.
Apesar do grau de confiança no real e no governo, o medo do desemprego diminuiu de maio para agosto, mas continua elevado: 64% dos entrevistados temem perder o emprego. O percentual de desempregados permaneceu constante em 5%, e a taxa de desemprego é maior quanto menor a renda familiar: 8% dos que ganham até um salário mínimo estão desempregados, enquanto entre os que ganham acima de 10 mínimos este percentual é de 2%. A maior taxa de desemprego está no Nordeste, onde 8% dos entrevistados na região já perderam o emprego.
Melhora O senador Fernando Bezerra chamou a atenção para o fato de que 53% - maioria absoluta dos entrevistados pelo Ibope - diz que a sua vida melhorou/melhorou muito com o Plano Real. Esta proporção é maior do que a colhida na pesquisa feita há três meses, quando esse número foi de 47%. Também foi reduzida de 19% para 15% a parcela daqueles que acham que houve piora após o real.
Para o senador Fernando Bezerra e para o chefe do Departamento Econômico da CNI, economista Flávio Castelo Branco, os dados coletados agora indicam que a queda de confiança no real e no governo registrada em maio passado pode ter sido um fato extemporâneo, provocada por acontecimentos que deprimiram os brasileiros. ‘‘Foi quando houve a CPI dos Precatórios, denúncia de compra de votos e o assassinato do índio Galdino, da tribo dos Pataxós, em Brasília’’, ressaltou Bezerra.
A pesquisa da CNI/Ibope também traz bons indicadores com relação à privatização e a intenção de compras pelos dois mil entrevistados. Metade deles, especialmente entre aqueles com curso superior (71%), acredita que a privatização trará melhoria de qualidade para os serviços hoje explorados pelo governo. A maioria deles também espera aumento do preço dos serviços que estão sendo privatizados.
Com relação ao consumo, 55% dos entrevistados, sendo 60% com renda mensal superior a 10 salários mínimos (número mais alto desde que a pesquisa foi iniciada em fevereiro de 1996), pretende manter inalterado o consumo para os próximos três meses. A proporção dos que pretendem reduzir o consumo, entretanto, predomina sobre a de comprar mais em todos os níveis de renda. As compras do próximo Natal também devem permanecer inalteradas para 52% dos brasileiros ouvidos pelo Ibope.

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