Rio de Janeiro - A inflação brasileira é pelo menos duas vezes maior do que a média de outros países. Nos últimos cinco anos, enquanto a variação média de preços no País ficou em 8,6% ao ano, num grupo de mercados selecionados pelo economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Fabio Giambiagi a taxa foi de 3,8%. Nos Estados Unidos e Chile o indicador foi ainda menor, de 2,6%.
''Por qualquer parâmetro de comparação decente que seja utilizado a inflação brasileira ainda é relativamente alta'', diz o economista. ''Este é um ponto fundamental, porque nas críticas que são feitas no debate político sobre a política econômica do Banco Central muitas vezes esta questão é negligenciada e o 'board' do BC é tratado pejorativamente como um bando de fanáticos''.
O economista reconhece que a meta de 5,1% para 2005 ''talvez tenha sido ambiciosa'', mas defende que o País deve prosseguir na redução da inflação, em direção a um nível entre 3% e 4% no longo prazo, até o início da próxima década. Para 2005, ele estima que o IPCA ficará em torno de 6,5%, mas não descarta o risco de a taxa bater o teto da meta, de 7%. ''Então, o Banco Central (BC) não pode brincar em serviço'', afirmou.
O levantamento também incluiu o Peru (inflação média de 2,3% ao ano), Bolívia (3,1%) e Colômbia (7,1%), que viveram processos de hiperinflação no passado, a Coréia (3,1%), que ele considera o mais bem sucedido país emergente, além do México (5,7%). Giambiagi abordou o assunto em evento promovido pela Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro ontem (31).
O BC vem sendo criticado pela desaceleração da economia, provada pelos juros altos. ''O BC tem um mandato para procurar que a inflação fique dentro da banda'', afirmou Giambiagi. Ele avalia que os juros devem começar a cair a partir do fim do terceiro trimestre, entre setembro e outubro. Isso porque de julho em diante o acumulado em 12 meses do IPCA cederá, estima ele. Até abril, este acumulado chegou a 8,07%. O economista disse que a convergência da inflação para níveis ainda menores no futuro é hoje uma ''controvérsia acadêmica''. Para ele, o País deveria buscar uma meta de 4% para o fim do próximo governo, até 2010, caindo para 3%, talvez para 2014.

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