Curitiba - No início do ano passado Carlos Fontana e Sebastião de Lima Amaral se depararam com a possibilidade de ficar sem emprego porque a fábrica de botões em que trabalhavam estava sendo mal administrada e prestes a falir. Os proprietários não informavam nada aos funcionários, que detectaram o problema por causa da falta de matéria-prima, diminuição da produção e atraso de salários. Ao notar que a fábrica estava de fato na iminência de fechar as portas, conseguiram na Justiça assumir a administração. Deu certo e hoje a fábrica é um empreendimento de economia solidária. Os trabalhadores fundaram a Cooperbotões, vão pagar o arrendamento, e estão crescendo aos poucos com seus empregos garantidos.
''Empreendimentos de economia solidária são cooperativas, associações de comercialização, de cooperação (troca) ou produção, feiras ou qualquer outro tipo de negócio que tenha auto-gestão dos trabalhadores. Eles podem, por exemplo, usar moedas alternativas (troca) ou adquirir produtos mais baratos por comprar em grande quantidade'', explicou a coordenadora da pesquisa de mapeamento de estabelecimentos de economia solidária que está sendo realizada no Paraná pelo Instituto de Filosofia (Ifil), Maria da Glória Morais de Oliveira. ''Eles não existem como meio assistencial, mas sim para suprir necessidades específicas de quem participa'', completou. A renda das pessoas ligadas a empreendimentos de economia solidária são variáveis. Segundo Maria da Glória, encontrou-se pessoas que ganham entre R$ 120 e R$ 2,4 mil.
O estudo vai até outubro e está sendo realizado em parceria com o governo federal para que, sabendo quantos empreendimentos existem, fique mais fácil fomentá-los. buscar a criação de políticas públicas, formalizá-los e também buscar financiamentos. ''Queremos que eles se coloquem em rede para um ajudar o outro também. Por exemplo, os que têm como resíduo o plástico pode fornecer este material para cooperativas de reciclagem'', explicou Maria da Glória. Até o momento já foram descobertos 550 empreendimentos de economia solidária no Paraná, sendo a maioria (133) na região de Francisco Beltrão. Em Londrina já foram identificados 28 empreendimentos e em Curitiba 32.
''Hoje somos em 87 trabalhadores. Ninguém foi demitido. Agora estamos trabalhando para recuperar os clientes que a antiga administração perdeu'', contou Fontana, que é o presidente da Cooperbotões e que ocupava o cargo de porteiro na antiga empresa. A empresa continua sendo a fábrica com a maior capacidade da América Latina para produzir botões e já chegou a dominar 90% do mercado. Ainda é a maior fábrica em instalações físicas e os cooperados trabalham para recuperar mercado. Hoje o rendimento dos trabalhadores da cooperativa variam entre R$ 350 e R$ 800 (que é quando ganha o presidente e o vice-presidente recebem). Apesar de não ser muito alto o salário, ser dono do próprio negócio satisfaz os trabalhadores. ''Eu acredito na cooperativa e tenho a expectativa que nos próximos meses vai melhorar ainda mais'', contou o operador Amaral.

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