Pesquisa indica que empresário está pessimista
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terça-feira, 24 de julho de 2001
Agência EstadoDe São Paulo 
O empresariado brasileiro está pessimista tanto com a situação atual dos seus negócios quanto com o futuro nos próximo seis meses. Esta é uma das conclusões apontadas pela Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, realizada pelo Centro de Estatística e Análises Econômicas do Ibri, da Fundação Getúlio Vargas. A pesquisa foi realizada no início de julho com 1.190 indústrias, que representam cerca de 40% das vendas totais no País.
Em julho, apenas 13% consideraram positiva a situação de seus negócios, enquanto 25% disseram que os seus negócios estão fracos. Em abril, o empresariado estava bem mais otimista: 24% consideravam a situação positiva e 15% a avaliavam negativamente.
As perspectivas para os próximos seis meses também pioraram. Em abril, 58% afirmavam que a situação melhoraria. Em julho, esse percentual caiu para 33%. Além disso, a perspectiva negativa para o futuro passou de 3% para 18%.
Outra conclusão do estudo da FGV é que o nível da demanda da indústria de transformação brasileira recuou e deve permanecer fraco durante o segundo semestre do ano. O principal fator apontado na pesquisa para a queda na demanda foi a crise energética. Mais da metade das empresas, 55%, prevêem que o fim da crise ocorrerá somente em 2003. Para 14%, será solucionada ainda neste ano e, para 31%, só em 2002.
Para 27% dos entrevistados, a demanda atual está mais fraca, enquanto que apenas 5% disseram que ela está mais forte. Em julho do ano passado, os percentuais eram mais otimistas: 17% disseram que a demanda estava mais forte e 10%, mais fraca.
As perspectivas para o trimestre compreendido entre julho e setembro também são precárias, sendo que 35% das previsões são de aumento de vendas e 23%, de queda. Além da demanda ter se enfraquecido, as indústrias estão com menos fôlego, porque esperam que ela se desenvolva de forma muito acanhada, afirmou o coordenador da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da FGV, Salomão Quadros.
A pesquisa mostrou também que o cumprimento das medidas de economia de energia será possível para 44% das indústrias, sem que isso venha a prejudicar o faturamento.
Para o conjunto das empresas brasileiras, o saldo das respostas positivas e negativas sobre a situação dos seus negócios em seis meses está em 14 pontos. Nas regiões onde há racionamento, o saldo sobe para 17 pontos.


