Pesquisa indica cenário econômico favorável
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Ricardo Leopoldo<br>Agência Estado 
São Paulo - A pesquisa Febraban de Projeções e Expectativas de Mercado, realizada entre os dias 13 e 14 de setembro com 40 bancos, indica que as perspectivas para a economia brasileira para o logo prazo são favoráveis e não sugerem que as turbulências registradas no mercado financeiro internacional deverão se tornar uma crise mais séria nos próximos trimestres. O movimento registrado recentemente em níveis globais dá sinais de que ocorreu uma reprecificação dos valores de ativos financeiros, dado que havia uma bolha em vários mercados relevantes, como o imobiliário nos EUA, comentou Nicola Tingas, economista-chefe da instituição.
A pesquisa apontou que o cenário para Brasil em 2007 e também para 2008 sugere um bom desenvolvimento dos fundamentos macroeconômicos do País. As expectativas para o PIB são de crescimento de 4,73% e 4,40%, respectivamente, enquanto que o IPCA deve subir 3,98% e 4,18% no período, patamares inferiores ao centro da meta determinada pelo Conselho Monetário Nacional. Além disso, a Selic deve fechar este ano em 11,06% e 10,29% no próximo, como aponta a média das projeções dos especialistas. As estimativas para o câmbio no final dos dois anos mostram que devem ficar muito próximas em termos nominais, pois devem atingir R$ 1,91 e R$ 1,94, respectivamente.
Os entrevistados indicaram que temem efeitos para o Brasil se a atual reprecificação dos valores de ativos financeiros se tornar uma crise grave, capaz de reduzir de forma expressiva o crescimento do PIB mundial, afirmou Tingas. No front internacional, essa é a principal preocupação de 84,4% dos economistas ouvidos pela pesquisa, enquanto o segundo tema foi a redução da liquidez internacional, com 62,5%. De acordo com o levantamento, 73,3% dos entrevistados avaliam que a crise do setor imobiliário norte-americano deve afetar o País.
O terceiro fator de apreensão dos especialistas de 40 bancos é a evolução dos preços mundiais das commodities, com 59,4%. Segundo a economista-sênior da Febraban, Ana Higa, há uma boa possibilidade de acomodação das cotações destes produtos no próximo ano, em função de alguns fatores, como uma pausa do movimento de forte apreciação registrado nos últimos anos e provável desaceleração da velocidade do PIB mundial em 2008.
No cenário doméstico, os economistas dos bancos apontaram que os dois fatores que causam mais incertezas são a pressão da demanda agregada e a atividade econômica aquecida, com 71,9% e 68,8%, respectivamente. Isso indica que os especialistas temem que no futuro próximo o fortalecimento do consumo poderá gerar alta dos índices de preços ao consumidor. Estes elementos são mais relevantes até do que a atual pressão sobre os valores de mercado dos alimentos, manifestada por 59,4% dos entrevistados. Esse item não ganhou tanto peso, pois os dois primeiros têm potencial maior para influenciar as expectativas de inflação dos agentes econômicos para os próximos trimestres, uma variável muito importante levada em consideração pelo modelo econométrico do Banco Central.
De acordo com a pesquisa realizada pela Febraban logo depois da divulgação da ata das reuniões do Copom, 65,6% não mudaram suas estimativas macroeconômicas depois que o Banco Central levou ao ar o documento na manhã da última quinta-feira. O levantamento indica que 81,2% dos entrevistados acreditam que o BC adotará uma pausa na redução dos juros nas duas últimas reuniões deste ano, que ocorrerão em outubro e dezembro. Contudo, 84,4% ponderam que há espaço para que a autoridade monetária continue a diminuir a Selic em 2008.


