Pesquisa está bem distante da sociedade consumidora
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segunda-feira, 20 de maio de 2002
Guto Rocha Reportagem Local 
A distância que separa os institutos de pesquisas, universidades e outros geradores de ciência e tecnologia da sociedade que consome estes conhecimentos ainda é grande. Para o professor doutor Renato Dagnino, do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp, a sociedade brasileira não valoriza o desenvolvimento científico porque desconhece o valor intrínseco do conhecimento.
Dagnino proferiu palestra ontem em Londrina no Fórum Gestão da Interação Ciência, Tecnologia e Sociedade, promovido pelo Iapar. O professor da Unicamp disse em sua palestra que essa relação da sociedade com os institutos de pesquisa e seus resultados se deve em parte à estrutura social, que preserva a má distribuição de renda, mas também aos próprios pesquisadores. Na verdade, a pesquisa é desenvolvida de acordo com o que o pesquisador quer. E muitas vezes ela não serve para atender às demandas da sociedade, comentou.
Segundo ele, a dependência que o País tem em relação à importação de conhecimentos e tecnologias também só será amenizada quando o quadro social começar a ser alterado. Dagnino afirmou que esta dependência e a forma como a ciência e tecnologia vêm sendo desenvolvidas no Brasil pode colocar em risco a democracia política e econômica que o País busca. Pesquisa gerada no Brasil e utilizada no Brasil depende de uma melhor distribuição de renda que garanta a demanda por essas pesquisas, afirmou.
Dagnino observou que no caso das ciências agrárias e de saúde, o Brasil conseguiu um avanço porque a pesquisa teve de desenvolver conhecimento e tecnologia próprios. Esse tipo de tecnologia não dá para importar. Mas já o que pôde ser importado, nós importamos. De certa forma é mais barato, porque já está pronto, tem assitência técnica, uma marca.
A coordendora do Fórum, Lucy Woellner dos Santos, afirmou que o evento tem como objetivo promover maior interação entre pesquisadores e sociedade. Muitas vezes o pesquisador acredita que seu trabalho atende às necessidades da sociedade, trabalhando com a idéia de que a ciência é neutra. Mas se esquece que ele faz parte de um meio social e carrega consigo todos esses elementos, deixando de considerar a participação da sociedade no desenvolvimento da pesquisa que irá afetá-la.
O presidente do Iapar, Florindo Dalberto, observou que o fórum faz parte das comemorações dos 30 anos do instituto e serve para uma reflexão do que foi feito até agora e que rumos deve tomar. O que nós fizemos até aqui é reconhecido pela sociedade, temos sucesso, mas para continuarmos precisamos buscar maior interação com a sociedade, respondendo aos seus problemas, disse. O fórum será encerrado hoje no Iapar.


