Pesquisa em citros terá R$ 1,2 milhão
Oswaldo Petrin
De Londrina
Benefício indireto para a citricultura paranaense, em plena expansão, gerando emprego e injetando dinheiro na economia regional
A pesquisa em citricultura deve receber nos próximos dias R$ 1,2 milhão, para estudo do cancro cítrico (Xanthomonas axonopodis pv. citri) nos Estados de São Paulo e Paraná. Nome do projeto, que terá duração de dois anos: Cancro Cítrico: Estudo de Medidas de Prevenção e Controle. Com esse recurso vai ser possível aprofundar os conhecimentos sobre a doença visando reduzir os prejuízos que a bactéria tem causado aos produtores e à economia do País.
Os recursos vêm do Governo Federal, através do Ministério da Ciência e Tecnologia (CNPq e Finep) e da Fundecitrus, Fundo Paulista de Defesa da Citricultura, e serão aplicados através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT III) que aprovou projeto de estudo do cancro cítrico elaborado pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
O projeto será executado em conjunto pelo Iapar, Fundecitrus, Instituto Biológico, Unesp/Jaboticabal e Esalq/Usp e será coordenado pelo pesquisador Rui Pereira Leite, líder do Programa Fruticultura do Iapar. Rui é fitopatologista e há cerca de 20 anos se dedica ao estudo de doenças de plantas cítricas.
Uma equipe multidisciplinar de 18 especialistas vai conduzir trabalhos de campo e laboratório nos dois Estados. É o primeiro projeto do Iapar aprovado pelo PADCT, que levou em consideração o know how do instituto na pesquisa em citricultura, especialmente no estudo da doença.
Paralelamente, ao projeto de pesquisa, também foi aprovado pelo Rhae/CNPq (Programa de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas) um projeto que prevê a participação das mesmas instituições com objetivo de obter bolsas para pessoal que vai trabalhar no projeto PADCT. É o maior projeto em bolsas (R$ 380 mil) já aprovado pelo CNPq.
O projeto Cancro Cítrico: Estudo de Medidas de Prevenção e Controle surgiu da necessidade de implementar o estudo da doença em função do aumento da sua incidência no Brasil, particularmente no Estado de São Paulo, onde atinge plantações voltadas para exportação. Só este ano foram detectados mais de 3 mil focos.
Os resultados do projeto também são de importância para o Estado do Paraná, onde a doença existe e está sob controle. Todas as informações geradas pelo projeto serão aplicadas nos dois Estados.
O Instituto Agronômico do Paraná acumula experiência no estudo de doenças da citricultura. Em 20 anos de pesquisa avançou no melhoramento genético de plantas cítricas, lançou variedades resistentes e criou uma base tecnológica sólida que garante suporte técnico para uma citricultura que mostra sua viabilidade econômica, principalmente na região Noroeste do Estado. Técnicos norte-americanos têm visitado os trabalhos do Iapar e afirmam que levam a experiência para os laranjais da Flórida.
Indústria O Estado do Paraná conta hoje com uma citricultura em expansão. Uma indústria de sucos concentrados em Paranavaí, a Paraná Citrus S.A., está operando há 4 safras e processa este ano 5 milhões de caixas (40,8kg). No ano passado, a Paraná Citrus S.A. esmagou 1.880.000 caixas de laranja, produziu 6.900 toneladas de suco - quase todo exportado para os EU. Vendida a preço médio de 1.350 dólares/t a produção injetou no município mais de 7 milhões de dólares. O produtor recebeu, em média, US$ 2,53/caixa.
Para 1998/99 a indústria paranaense espera esmagar 4,5 milhões de caixas e produzir 17 mil toneladas de sucos - triplicando a sua produção. Preço médio hoje US$ 1,4 mil, mais ou menos 23 milhões de dólares.
A importância da citricultura e da indústria que sustenta, não está apenas no grande volume de dinheiro que injeta na economia regional. A variável social é também é importante. A fábrica oferece 160 postos de trabalho permanente (emprego fixo e direto). No campo são cerca de 400 colhedores de maio a dezembro. E cerca de 700 pessoas trabalham na cultura o ano inteiro. A citricultura no Noroeste do Paraná ocupa 7 mil hectares e emprega um trabalhador por hectare.
Entre os empregos indiretos pode ser citado o transporte. São mais de 90 caminhoneiros, atuando durante todo ano. (Diariamente a indústria esmaga o equivalente a 90 caminhões de matéria-prima). Outras fontes de emprego indireto oferecidos pela cadeia produtiva da citricultura são empresas fornecedoras de insumos e equipamentos.
Esta força econômica que está mudando o perfil da região de Paranavaí, talvez não fosse possível sem a iniciativa arrojada de empresários empreendores e a existência de uma tecnologia que garante a viabilidade da atividade produtiva no campo. Essa tecnologia é gerada e validada pelo Iapar.





