Pesquisa do IBGE mostra desempenho positivo do varejo
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sexta-feira, 17 de setembro de 2004
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo oitavo mês consecutivo, as vendas no comércio varejista brasileiro vem crescendo e em julho a alta no volume de vendas foi de 12,04%, em relação ao mesmo período do ano passado. Também em relação a julho de 2003, houve alta de 16,60% na receita nominal de vendas. O acumulado do ano atingiu 11,77% para a receita nominal e 9,74% para o volume. Já no acumulado dos últimos 12 meses as taxas foram, respectivamente, de 11,65% e 4,67%.
Pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada ontem mostra que o crescimento do comércio varejista aconteceu em todas os Estados, com exceção de Amapá, que teve queda de 1,70% no volume de vendas. Na relação julho 2004 a julho 2003, as maiores participações na taxa global do varejo foram Santa Catarina (14,64%), São Paulo (12,38%), Paraná (12,07%), Minas Gerais (11,32%) e Rio Grande do Sul (10,55%).
Móveis e eletrodomésticos e Veículos (motos, partes e peças) continuaram com as maiores taxas mensais: 32,22% e 22,44% respectivamente, seguidos por Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (10,35%), Tecidos, vestuário e calçados (7,92%) e Combustíveis e lubrificantes (3,65%). A única queda: Livros, jornais, revistas e papelaria (-4,55%).
O segmento Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo passou a ser o maior impacto na taxa global do varejo, substituindo Móveis e eletrodomésticos, que liderava desde o início do ano.
Entre junho e julho, o volume de vendas do comércio varejista evoluiu de 8,91% para 10,35% no indicador mensal; de 5,40% para 6,11% no acumulado do ano e de 0,93% para 2,23% no acumulado dos últimos 12 meses.
Juros - Apesar dos índices positivos mostrados pela pesquisa mensal do IBGE sobre o desempenho do comércio varejista, a Associação Comercial do Paraná (ACP) não está otimista. Por meio da assessoria de imprensa, o presidente da entidade, Cláudio Slaviero, diz que desde agosto essa tendência de crescimento vem se revertendo, mostrando, na verdade, redução da atividade comercial. ''E ficamos ainda mais apreensivos depois da decisão do Copom, na última semana, aumentando a taxa de juros. Isso, infeliz e inevitavelmente, refletirá no movimento do comércio'', afirma.
Segundo Slaviero, o aumento registrado principalmente até junho deve ter sido resultado, em grande parte, da expansão significativa do volume de crédito pessoal e do consumo de bens duráveis. ''Segundo dados do Banco Central, o volume de crédito aumentou 29,05% no primeiro semestre deste ano. O número de consultas anualizadas no Serviço de Proteção ao Crédito da Associação Comercial do Paraná também mostra diminuição da atividade comercial. Enquanto a produção de bens duráveis aumentou mais de 25% no período, a produção de bens não-duráveis caiu cerca de 1%. Ou seja, esta junção de expansão de crédito pessoal e aumento da produção de bens duráveis promove contratação de financiamento, comprometendo parcela da renda futura do consumidor. Isto pode inibir o consumo nos próximos meses. Pelo menos esta é a tendência, reforçada, infelizmente, pelo aumento dos juros'', comenta o presidente da ACP.


