A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a família brasileira gastou, em média, R$ 2.626,31 por mês em 2009, 47,7% a mais do que na última POF realizada em 2003. No Paraná, a média de despesas familiares foi de R$ 2.818,42, valor 51,7% superior ao ano de 2003. Os gastos dos paranaenses foram menores que as médias registradas no Rio Grande do Sul (R$ 2.962,40) e em Santa Catarina (R$ 3.509,58). Por região, o maior gasto mensal familiar ficou com o Sudeste (R$ 3.135,80) e o menor com o Nordeste (R$ 1.700,26).
Quanto às despesas por faixa de renda, a POF revela que no Brasil os 40% mais pobres gastaram, em 2009, uma média mensal de R$ 296,35 e os 10% mais ricos, R$ 2.844,56. Ou seja, os que têm maior renda gastaram 9,60 vezes mais que os menos abastados. No Paraná, a despesa dos 10% mais ricos (R$ 2.650,70) foi 7,03 vezes superior aos gastos dos mais pobres (R$ 377,26).
A pesquisa do IBGE mostra ainda que 63,80% dos rendimentos mensais do paranaense vieram do trabalho, 17,99% da transferência do governo (aposentadoria, bolsa família e demais programas governamentais), 2,41% de rendimento de aluguel, 1,80% de outros rendimentos e 14,01% de rendimento não monetário.
Do total de despesas, o maior valor investido por família no Paraná em 2009 foi com habitação (34,8%) e em seguida aparecem transporte (23,1%), alimentação (18,2%), assistência à saúde (7,5%), vestuário (6%) e educação (2,2%). Em comparação com 2003, a pesquisa aponta que os paranaenses gastaram 39% menos com educação.
O analista do IBGE no Paraná, Luís Alceu Paganotto, observa que a variação negativa tem a ver com o aumento de renda das famílias. ''Apesar de estarem ganhando mais, as pessoas não aumentaram os investimentos em educação'', afirma. Um outro dado destacado por Paganotto é o índice relativo ao gasto com fumo (0,4% do orçamento familiar, no Paraná; e 0,5% no Brasil). E comparação a 2003, a despesa com este item caiu 35,5% no Estado e 28,65% no País.
Nacional
Os gastos mensais das famílias brasileiras com aquisição e reforma de imóveis cresceram em sete anos, enquanto as despesas com tributos ficaram praticamente estáveis, segundo mostra a POF 2008-2009. Enquanto no período 2002-2003, a fatia designada para aumento de ativos (aquisição e reforma de imóveis) era de 4,8% do total das despesas das famílias, em 2009 esse porcentual havia subido para 5,8%.
A pesquisa mostra, entretanto, uma significativa mudança nas prioridades de despesas familiares desde 1975. Naquele período, as famílias designavam 16,5% das suas despesas para aquisição e reforma de imóveis. Esses gastos são contabilizados na pesquisa como ''aumento do ativo'', enquanto as despesas com alimentação, habitação, aquisição de veículos e outros entram no quesito despesas de consumo. Os tributos entram no grupo de outras despesas. O pagamento de dívidas é contabilizado como diminuição do passivo.
A Pesquisa de Orçamentos Familiares tem como objetivo mensurar as estruturas de consumo, dos gastos, dos rendimentos e parte da variação patrimonial das famílias brasileiras. Para a pesquisa foram entrevistadas 55.970 famílias, entre maio de 2008 e maio de 2009. Os pesos dos produtos no cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também apurado pelo IBGE, são definidos a partir da POF. Pesquisas similares haviam sido realizadas pelo instituto em 1975 e em 2003.

mockup