Com as vagas nas empresas brasileiras crescendo na mesma velocidade que o Produto Interno Bruto (PIB) do País - 3,2% em 2005 -, milhares de pessoas estão procurando outras alternativas para sustentar a família. E uma delas é transformando-se em empreendedor. Até há alguns anos, o brasileiro sonhava com a casa própria. Hoje ele sonha com a empresa própria. Abrir uma empresa está ficando mais fácil. O problema é fazê-la sobreviver num mercado tão competitivo como é o do Brasil.
Um dos principais erros cometidos pelos novos empreendedores é imaginar que ter dinheiro para iniciar um negócio é garantia de que ele terá sucesso. Não é bem assim. Segundo o contabilista e consultor de empresas Marcelo Tarifa, muitos aprendizes de empresário não sobrevivem no mercado mesmo tendo recursos financeiros suficientes para investir no negócio.
''Em muitos casos o que ocorre é que o empresário tem dinheiro para investir, mas não conhece o mercado. Ele não domina a atividade fim, não conhece a legislação tributária e não faz uma pesquisa de mercado para saber se a atividade que ele pretende desenvolver é viável. Aliás, são raros os novos empreendedores que fazem essa pesquisa'', comenta Tarifa. Na avaliação dele a pesquisa de mercado é um dos primeiros passos para que o empreendedor aumente suas chances de sucesso.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Sebrae, a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas no Brasil é de 52,9% nos primeiros dois anos de existência. Marcelo Tarifa aponta, além do desconhecimento da atividade, outros fatores que colaboram para o fechamento das novas empresas.
''A falta de controle financeiro é um dos motivos. É comum o empresário não saber quanto ele tem para receber e qual a quantia que ele precisará desembolsar para pagar os impostos, encargos sociais. Ele também precisa ter controle absoluto sobre o fluxo de caixa. Além, é claro, de ter em mente que a carga tributária brasileira é alta. Sem essas informações, abrir uma empresa é uma aventura'', comenta Tarifa. Ele orienta que antes de iniciar uma nova atividade o empresário deve procurar um contabilista de sua confiança para obter informações sobre a futura atividade, reduzindo assim os riscos do negócio.
Em Londrina, para reduzir os riscos dos empresários, além de oferecer cursos para orientar os futuros empreendedores, a agência do Sebrae disponibiliza uma pesquisa que aponta, por regiões, que tipo de empresas a cidade precisa. A pesquisa é feita a cada dois anos desde 1998.
O gerente regional do Sebrae em Londrina, Sérgio Garcia Ozório, diz que a pesquisa é bem completa. Ela mostra, entrou outras informações, os hábitos de consumo de cada região, escolaridade dos moradores, renda familiar e quais as empresas e serviços que a comunidade local sente falta. ''Nós não definimos que tipo de empresa o empresário deve abrir. É uma decisão dele. Porém, com esse estudo podemos indicar quais são as melhores oportunidades de negócios'', explica Sérgio Ozório.
Segundo ele o grande segredo para que a futura empresa dê certo é a pesquisa de mercado. ''O empresário precisa saber se há demanda para o tipo de empresa que ele quer abrir. Depois disso é necessário um bom planejamento. O Sebrae oferece essa orientação. Aqui o futuro empresário faz até uma simulação do empreendimento. Ele passa a entender a atividade antes de colocar a mão no bolso'', diz o gerente regional do Sebrae. Segundo ele, enquanto a média nacional de mortalidade das novas empresas é de quase 53%, o índice de fechamento das que são atendidas pela entidade, é de apenas 20%.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-LDr

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