Pesquisa da CNI afasta 'explosão' de consumo
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quarta-feira, 11 de abril de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) constatou que o indicador da expectativa do consumidor brasileiro para este ano aumentou apenas 0,5% no primeiro trimestre, em relação à apuração em igual período de 2000. Esta pequena variação indica estabilidade do índice, o que é considerado pela entidade como um sinal de que o País não estará sujeito a uma trajetória de superaquecimento do consumo interno e da atividade econômica em 2001.
Não há razão para se acreditar em uma explosão no nível de consumo neste ano e em uma taxa de crescimento da atividade econômica superior à estimada no final de 2000, entre 4,0% e 4,5%, declarou Flávio Castelo Branco, chefe da Unidade de Política Econômica da CNI. Essas constatações tendem a amenizar pressões sobre a definição da taxa de juros e a balança comercial, completou.
A pesquisa feita com 2.000 consumidores brasileiros entre os dias 15 e 20 de março mostra que, em relação ao primeiro trimestre de 2000, houve melhoria nas expectativas de inflação (1,0%), de desemprego (6,9%) e de renda geral da população (0,6%). Entretanto, a CNI verificou deteriorização principalmente nos indicadores pessoais, na mesma comparação. O que mede a satisfação com a vida caiu 0,6%, na mesma comparação. O medo do desemprego aumentou 1,0%, e as compras no período recuaram 1,6%. A expectativa em relação à própria renda diminuiu 0,5%.
A CNI constatou ainda que 60% dos consumidores esperam aumento na inflação nos próximos meses. Essa maioria, entretanto, alcançava 66% no último trimestre de 2000, quando foi realizada a pesquisa anterior.
Trata-se do único indicador a apresentar melhoria, de 2,9%, quando são confrontados os números dos dois últimos trimestres. A cultura inflacionária ainda não foi esquecida. O brasileiro confia desconfiando. É mais cauteloso e conservador em relação às previsões de queda nos preços, afirmou o presidente da CNI, deputado Carlos Eduardo Moreira Ferreira (PFL-SP).
Todos os demais indicadores reforçaram o pessimismo das pessoas entrevistadas. O índice geral das expectativas para o ano, na comparação com os dados do quarto trimestre de 2000, recuaram 6,8%. Da mesma forma, caíram as expectativas de desemprego (1,3%), de renda geral (3,2%) e de renda própria (4,4%). Os números igualmente apontaram crescimento do medo do consumidor com a expansão do desemprego, de 2,8%, e quedas nos indicadores de satisfação com a vida (0,7%) e de compras realizadas no período (2,2%). Segundo Castelo Branco, essa piora está ligada à sazonalidade. Em geral, a população tende a demonstrar maior otimismo no final de cada ano.


