Curitiba - A pesquisa Competitividade Regional realizada pela Câmara de Comércio Americana (Amcham) apontou que há tendência das montadoras saírem do Paraná e irem para o México por conta dos benefícios fiscais e da facilidade de relação com os sindicatos dos metalúrgicos daquele país. O levantamento mostrou ainda que a indústria automobilística não está no topo da lista dos setores mais promissores para investimentos nos próximos anos e ficou na oitava colocação com 17% dos votos dos empresários que foram entrevistados na pesquisa.
''O relacionamento com o sindicato dos metalúrgicos do Paraná sempre foi muito confuso'', disse Roberto Karam que faz parte do conselho de ex-presidentes do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Mecânica e de Material Elétrico (Sindimetal) e que foi presidente da entidade durante oito anos. Ele lembrou que o sindicato dos trabalhadores parou a fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais durante quase 40 dias. ''Isso tudo reflete mal para as empresas que estão fora e querem vir para cá'', disse.
Ele destacou que o sindicato dos metalúrgicos do grande ABC fez uma pressão sindical forte nos anos 80 e agora trabalha no sentido de tentar atrair empresas para a região. ''O sindicato dos metalúrgicos do Paraná está repetindo o que fizeram no ABC nos anos 80'', disse. ''As greves são sinais ruins para quem está de fora olhando o cenário'', afirmou.
Karam disse que o sindicato tem que reivindicar, mas não de forma tão agressiva. ''Acho que isso tudo vai espantar empresas novas e as já instaladas'', afirmou. Segundo ele, há companhias já instaladas que teriam interesse em ampliar os investimentos e acabam desviando para o México, leste europeu e China onde o risco é menor na questão sindical'', justificou. Segundo ele, a relação sindical no Paraná tem sido mais problemática nos últimos oito anos. ''No ABC algumas empresas foram embora. E ainda temos o problema da concorrência das peças da China'', disse.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Sérgio Butka, acredita que é difícil as montadoras saírem do Paraná porque são multinacionais.
O secretário geral do Sindicato dos Metalúrgicos, Jamil Dávila, disse que o custo da mão de obra em um veículo é pequeno e não chega a 5%. Segundo ele, a grande preocupação é o crescimento das importações no setor. ''Não acredito que as montadoras vão sair do Paraná porque o grande mercado consumidor é o Brasil'', disse. Ele afirmou que vê com preocupação a relação sindical e esse argumento para sair do Estado não tem fundamento.
Karam afirmou ainda que o sindicato dos metalúrgicos do Paraná tem um fundo de qualificação que é recolhido em todas as negociações salariais e de PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e corresponde a 13% da folha de pagamento das empresas. Segundo ele, o sindicato arrecada cerca de R$ 4 milhões por ano e não presta contas deste dinheiro. E, de acordo com Karam, falta mão de obra qualificada no setor automotivo.
Dávila disse que o fundo de qualificação tem prestação de contas para os associados do sindicato todos os anos em assembleias. Segundo ele, este recurso vai para a qualificação dos trabalhadores e para a manutenção do sindicato.

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