Pesquisa aponta que 46% dos brasileiros tinham dívidas em junho
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quarta-feira, 24 de julho de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Uma pesquisa da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) aponta que 46% dos brasileiros pagavam algum tipo de financiamento no segundo trimestre deste ano. O percentual é o maior desde o início do levantamento, em 2009, e é resultado da política federal de incentivo ao consumo e do crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada, segundo a entidade. Porém, o alto índice diminui o otimismo do lojista para o segundo semestre deste ano, diante da necessidade do consumidor de pagar dívidas para voltar a ter acesso ao crédito.
Entre as pessoas com financiamentos ativos, 54% tinham carnês de pagamento. Outros 37% eram em dívidas em cartões de crédito, que cobram as maiores taxas de juros, com 9,37% ao mês ou 192,94% ao ano, segundo a última pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Na sequência aparecem empréstimos bancários (8%), em financeiras (6%) e habitacionais (4%), que normalmente são mais duradouros. Do total de dívidas, 17% eram por inadimplência.
Com isso, aumenta a tensão dos comerciantes para o segundo semestre do ano. Apesar de ser tradicionalmente mais rentável do que o primeiro, principalmente pelo Dia das Crianças e o Natal, a coordenadora de pesquisas da Fecomércio do Paraná, Priscila Andrade Takata, afirma que diminuiu a confiança dos lojistas do Estado para as vendas no período. "A maioria, 54%, está otimista, mas foi o menor índice desde 2002", diz. Ela se refere a levantamento feito duas vezes ao ano com associados pela entidade paranaense.
Ela diz que as cinco principais ameaças para os comerciantes são a competição de produtos piratas, a instabilidade financeira do País, o comprometimento do consumidor com dívidas anteriores, a inflação e novos concorrentes. A inadimplência é o sexto. "Muitas pessoas confundiram poder de crédito com poder de compra, o que resulta em dívidas", explica Priscila. Ela acredita que muitos consumidores vão concentrar esforços mais em pagar débitos antigos do que em novos gastos.
O delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) em Londrina, Laércio Rodrigues de Oliveira, afirma que o nível de endividamento deve continuar, porque grande parte é pelo consumo de eletrodomésticos (26%), eletrônicos (17%) e veículos (16%). "São financiados em até 12 vezes na linha branca, então a tendência é continuar a pagar ainda durante este ano", diz. Por isso, acredita em crescimento das vendas do comércio, mas em índice menor do que em outros anos.
Ele sugere que consumidores com problemas quitem inicialmente as dívidas com juros mais altos, como as no cartão de crédito e no cheque especial. "Brasileiro não gosta de inadimplência porque precisa do crédito, então renegociam as dívidas antes de fazer novas", conta Oliveira. (Com Agência Brasil)



