A Pro Teste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor avaliou 40 marcas de feijão - 21 pretos e 19 cariocas - e eliminou quatro por apresentarem riscos à saúde ou fraude econômica. Alguns produtos foram considerados ruins por fugirem à classificação que estampavam no rótulo. Na degustação não houve problemas tão graves - todos foram no mínimo aceitáveis.
Na análise dos defeitos dos grãos muitos feijões tinham impurezas, matérias estranhas e grãos mofados acima do limite previsto na legislação para o tipo 1. Até insetos vivos foram encontrados. O fato mostra que há produtos de qualidade inferior vendidos pelo preço de um superior. Entre os feijões pretos, dois produtos foram eliminados do teste: um não pôde ser classificado em nenhum dos cinco tipos, ficando ''abaixo do padrão'' e outro foi desclassificado por conter insetos vivos. Outras quatro marcas apresentaram muitos defeitos, e por isso, se fossem seguidos os parâmetros legais, deveriam ser classificadas como tipos inferiores.
Entre os feijões cariocas, o desastre foi menor: uma marca foi eliminada e outras três foram ruins. Esses resultados mostram que o consumidor está sendo lesado financeiramente, adquirindo produtos de qualidade muito inferior ao que está descrito nos rótulos.
Outra análise fundamental é a de quantificação de aflatoxinas, que, dependendo da quantidade pode, a longo prazo, causar câncer. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) admite um limite muito permissivo para o total de aflatoxinas em feijão: 30 ppb (partes por bilhão).
O FDA (agência americana que regula alimentos e remédios) determina que o máximo de aflatoxinas para alimentos em geral deve ser de 20 ppb e a legislação européia diz que o limite da aflatoxina B1 - a mais perigosa de todas, devido ao seu elevado potencial tóxico - deve ser de 8 ppb. Uma marca de feijão carioca apresentou uma quantidade alta de aflatoxina B1 e, por isso, foi eliminada do teste. Esta marca tinha mais de três vezes o limite permitido pela legislação européia para a aflatoxina B1.
A Pro Teste também avaliou a umidade dos feijões. Esse teor não deve ser muito elevado para garantir uma boa conservação do produto e para o consumidor não levar excesso de água para casa. Na análise foi levado em consideração o limite imposto pela legislação brasileira. Cinco marcas apresentaram excesso de umidade e foram reprovadas.
Mais informações sobre a pesquisa estão disponíveis na página da Pro Teste na internet - www.proteste.org.br

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