Pesquisa aborda o poder dos clientes
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sexta-feira, 04 de junho de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Pesquisa do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente revela que o consumidor é o foco principal das ações de responsabilidade social das empresas brasileiras. Das dez ações mais praticadas, seis são voltadas ao cliente ou consumidor. ''Isto comprova que quem consome tem poder para orientar as ações de responsabilidade social'', diz Helio Mattar, presidente da instituição.
A pesquisa ouviu 630 empresas em todo o País. As ações voltadas à categoria ''Consumidores / Clientes'' são as mais frequentes e correspondem a uma grande parcela da responsabilidade social implementada.
Entre as iniciativas mais desenvolvidas, as rotinas para garantir o fornecimento de notas fiscais estão presentes em 62% do universo pesquisado. Em segundo lugar, vêm os sistemas de relacionamento com os clientes no pós-venda, que 53% das empresas disseram praticar. Na sequência, está a adoção de critérios de compras que considerem a garantia de origem, com 42%.
Outra constatação da pesquisa é que, apesar de dedicarem a maior parte de seus esforços de responsabilidade social ao público consumidor, as empresas brasileiras não correspondem a quatro dos cinco principais anseios de seus clientes: contratação de deficientes físicos, colaboração com a comunidade, alfabetização de funcionários e familiares e combate ao trabalho infantil.
Pesquisa divulgada pelo Akatu em março deste ano levantou que, para 46% dos consumidores brasileiros, saber que a empresa contrata deficientes físicos está entre os três principais fatores que o levam a valorizar uma empresa ou estimulam a preferência por um produto ou serviço, em condições equivalentes de preço e qualidade. No entanto, apenas 14% das empresas revelam ter ações implementadas neste quesito.
Com relação à colaboração com a comunidade, tema que 34% dos consumidores dão importância destacada na avaliação das empresas e em suas decisões de compra, apenas 12% do total de empresas afirma ter projeto consolidado.
Por fim, medidas de combate ao trabalho infantil, consideradas como diferenciais prioritários por 30% dos consumidores na hora de adquirir um bem ou serviço, são integralmente desenvolvidas por apenas 9% das empresas.
No quesito serviço de atendimento ao consumidor, as empresas demonstram corresponder às expectativas dos clientes: 31% dos consumidores disseram que este é um fator importante em seu processo de escolha por produtos e serviços e 53% das empresas disseram ter ações implementadas.
A cobradora Vânia Bessa, 36, está entre a parcela de consumidores que valoriza o bom atendimento ao cliente. ''Procuro conhecer meus direitos e já deixei de comprar em uma loja que não trocou uma mercadoria danificada'', contou. Ela confessa que as ações de responsabilidade social das empresas não interferem nas suas decisões de compra. ''Mas se eu tivesse informações de que a empresa pratica abusos, deixaria de comprar'', disse.
O auxiliar administrativo Hugo Leonardo Chiamulera também não leva em conta a postura da empresa quando vai fazer compras, mas simpatiza com os selos de responsabilidade social evidenciados nos produtos de algumas firmas. ''Não dá para depender só do governo para acabar com as desigualdades. Todo mundo precisa fazer algo para ajudar.''


