O crescimento da arrecadação de impostos e das contribuições só irão levar o País para um caminho: crescimento da informalidade das empresas e do emprego e estagnação da economia. A conclusão é de contadores e empresários ligados diretamente à produção industrial e comercial. Na semana passada a Receita Federal divulgou que a carga tributária do governo federal fechou o ano passado entre 17,6% e 17,9% do Produto Interno Bruto (PIB), um crescimento de meio ponto porcentual com relação a 2004. Somando os impostos estaduais e municipais a carga chegou a 37,37%.
Segundo o contador José Joaquim Ribeiro, presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade (Sescap-Ldr), cerca de 30% das médias e pequenas empresas instaladas formalmente têm algum tipo de passivo tributário. ''É visível que quando há sonegação da pessoa jurídica, a pessoa física enriquece. Mas não é isso que temos visto, a jurídica está perdendo capital, há o empobrecimento das médias e pequenas empresas que estão sem recursos para substituir seus equipamentos e não há criação de empregos'', afirma.
Paralelo a esse panorama, a pessoa física também não tem apresentado crescimento de capital. Substituições de bens estão sendo feitas somente através de financiamentos. ''É raro encontrar quem está ganhando dinheiro e a consequência são problemas que já estamos enfrentando, como a falência das micro e pequenas empresas formais - que irão para a informalidade - o aumento do desemprego e o crescimento das favelas'', observa Ribeiro. Ele acrescenta que os empresários têm que superar dois desafios: carga tributária e altos juros cobrados pelas instituições financeiras.
O resultado, de acordo com o contador, é percebido pelo baixo resultado do PIB brasileiro. ''Uma das áreas de emprego que apresentou maior crescimento foi a prestação de serviços e isso ocorreu devido a queda da oferta do emprego formal. Em muitos casos, os serviços são uma maneira de sobrevivência para a pessoa'', afirma. Na avaliação de Ribeiro, o ''ideal'' para o País é que a carga tributária estivesse na casa dos 30%, atualmente são cobrados mais de 37%. ''Se isso fosse feito, com certeza, haveria mais circulação de dinheiro na economia'', comenta.
Ele reconhece, no entanto, que não poderia haver uma queda abrupta no índice recolhido de impostos. O corte teria que ser feito gradualmente, assim como, teria que ser feito um plano de redução dos gastos públicos. ''É preciso redefinir a responsabilidade da União, Estados e municípios. O problema é que os órgãos públicos não agem como indutores do crescimento econômico porque não estão fazendo investimentos em infra-estrutura, não estão criando situações para que a economia avance'', diz.

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