Peso colombiano é primeira vítima na América Latina
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quarta-feira, 02 de setembro de 1998
France Presse 
Com o anúncio do Banco Central de desvalorizar 9% o peso, a Colômbia se converteu ontem na primeira vítima na América Latina da crise russa, que nos últimos dias obrigou o país a apelar para suas reservas internacionais a fim de evitar que se rompesse o teto da banda cambial.
A surpreendente decisão do Banco, que no primeiro momento semeou o pânico no mercado cambial, visa acelerar o ritmo da desvalorização e elevar o teto da banda cambial, uma faixa de preços na qual deve oscilar o dólar, para acalmar pressões sobre o peso. Na última semana essas pressões obrigaram o Banco Central a vender 217 milhões de dólares, fazendo cair as reservas a 8,82 milhões de dólares.
Mas se a crise do rublo e suas consequências internacionais contribuíram para a desvalorização do peso, o ajuste foi obrigado igualmente por outros fatores internos e externos.
O diretor do Banco, Miguel Urrutia, explicou que a decisão não foi tomada antes porque no último mês e meio se deterioraram fortemente todas as variáveis internacionais.
Os problemas na Venezuela, principal parceiro comercial colombiano, a queda nos preços internacionais de seus principais produtos (petróleo, café, níquel, carvão, banana e flores), e um crescente déficit nas finanças públicas, entre outros, abonaram o caminho para desvalorizar o peso, que, segundo os exportadores, estava amplamente supervalorizado.
Com efeito, a inflação entre janeiro de 1996 e agosto último chegou a 53,97% enquanto no mesmo periodo o dólar passou de 1.028 a 1.436 pesos, com uma desvalorização real de 39,7%.
O ministro da fazenda, Juan Camilo Restrepo, pediu tranquilidade a empresários e investidores, e afirmou que a decisão de desvalorizar tem o fim também de aumentar a concorrência das exportações e gerar novos empregos na indústria. O desemprego atingiu junho passado um nível máximo de 15,8%. Restrepo foi ontem ao congresso para apresentar um pacote de medidas que cortam o gasto e aumentam alguns impostos, para enfrentar um déficit no orçamento estatal que chega a 3,5% do PIB.


