Pesificação total depende do acordo com o fundo, diz BC
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires A pesificação total economia argentina depende do sucesso de um novo acordo com o FMI, o que poderá ocorrer em duas semanas, disse ontem o diretor do Banco Central da República Argentina (BCRA), Aldo Pignanelli.
Ele explicou que, depois de resolver esse problema, será possível oferecer bônus aos bancos para evitar que fiquem descapitalizados e para buscar um equilíbrio entre ativos e passivos das instituições financeiras assim que for iniciada a pesificação dos depósitos e das contas correntes.
Em entrevista a uma rádio de Buenos Aires, Pignanelli afirmou que o texto da resolução que traz exceções ao corralito, que deve incluir pessoas entre 75 e 80 anos, casos de doença, aposentados e pensionistas e indenizações por causa de demissões ou acidentes de trabalho, se encontra praticamente pronto.
Essa é um das formas que o governo argentino encontrou para flexibilizar ainda mais o confisco de parte dos depósitos dos argentinos, que vêm provocando protestos constantes em todo o país.
O diretor do BC explicou também que os depósitos que caíram no corralito serão devolvidos em efetivo (dinheiro) só em caso de problemas graves de saúde, enquanto que os restantes estarão disponíveis dentro do esquema de conta corrente à vista em pesos.
A pesificação da economia argentina deve, de acordo com analistas consultados pela Agência Estado, destravar o sistema financeiro e fazer com que o prazo de congelamento dos depósitos seja reduzido dos quase três anos para apenas alguns meses.
Foi confirmado ainda que o BC continuará a vender dólares no mercado para segurar a cotação dessa moeda. Mas os bancos que adquirirem a moeda norte-americana no BC não poderão vendê-la com ganho superior a 5 centavos. Esse tipo de controle, porém, não existe no mercado paralelo, onde a compra e vende dessa divisa são feitas por centenas de casas de câmbio e cambistas.


