Curitiba - Os pescadores do Paraná estão sofrendo com multas e apreensão do material de pesca por causa da greve dos servidores do Ministério da Agricultura, que já dura quase dois meses. O problema está acontecendo porque os pescadores não estão conseguindo renovar as licenças para pescar camarão e por isso estão sendo autuados pelo Ibama e pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A indústria de bebidas, importadores de sementes e mudas, indústrias que arremataram sacas de café em um leilão em Londrina no início de junho e todos os setores que dependem de serviços burocráticos do Ministério também estão tendo problemas no Estado.
De acordo com o presidente da Federação da Colônia dos Pescadores do Paraná , Edmir Manoel Ferreira, além do problema da licença para pescar camarão, muitos pescadores ainda não receberam o seguro desemprego por causa do defeso.
O chefe da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República no Paraná, Jackson Luiz da Cruz Pinelli, foi ontem até Paranaguá ver a situação dos pescadores e informou que vai assinar as licenças retidas nas colônias de pescadores no próprio local, já que a sede da secretaria em Paranaguá está fechada.
Quanto aos pedidos que estão parados no protocolo do órgão, Pinelli informou que já entrou em contato com os institutos ambientais para que liberem os pescadores com comprovantes que deram entrada no pedido da licença.
O presidente do Sindicato da Agricultura no Paraná (Simapar), Gerson Karpstein, informou que a greve está atingindo empresas que precisam de liberação para importação de mudas e sementes e cerca de 20 indústrias que aguardam o registro para liberar bebidas para o consumo interno. O porto de Paranaguá não está sendo atingindo pela greve porque os fiscais não aderiram ao movimento.
A greve dos servidores do Ministério da Agricultura começou no dia 18 de maio, mas ganhou força em todo o País no dia 2 de junho. Segundo a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal, que está no comando da greve nacional, cerca de 90% dos servidores administrativos e técnicos estão parados. As negociações sobre reajuste estão acontecendo com o Ministério do Planejamento. A assessoria informou ontem que as negociações com os servidores da agricultura terminaram na última segunda-feira e que eles haviam se comprometido a voltar ao trabalho ontem. A Confederação negou e informou que espera uma audiência com o ministro Paulo Bernardo para negociar.

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