Arquivo FolhaClareandoFuncionário limpa vidraça na Bovespa: cenário começa a ficar mais calmo com acordo com FMIAs perspectivas para as Bolsas melhoraram nas últimas semanas. O cenário internacional está mais calmo, o acordo do Brasil com o FMI já foi anunciado e as possibilidades de aprovação das medidas de ajuste fiscal pelo Congresso são favoráveis. Além disso, os preços de muitas ações estão deprimidos e o capital estrangeiro voltou a aparecer em alguns pregões. Ainda assim, é preciso tomar alguns cuidados antes de entrar nas Bolsas.
O diretor-geral da Banque Nationale de Paris (BNP) Asset Management, André Pires, diz não ter dúvidas de que a percepção do risco Brasil entre os investidores diminuiu, o que é positivo para as Bolsas, mas lembra que nem tudo está resolvido. Ele afirma que ainda é preciso aprovar o pacote fiscal no Congresso, condição necessária para que os juros caiam mais rapidamente.
Pires também entende que os boatos sobre as supostas contas de integrantes do governo nas ilhas Cayman e sobre o grampo telefônico no BNDES podem atrapalhar as Bolsas. O principal problema é que o assunto tenderia a atrasar a tramitação das medidas de ajuste fiscal no Congresso. De qualquer modo, ele é otimista quanto às perspectivas do mercado acionário. Para o curto prazo, no entanto, Pires não descarta uma correção técnica para baixo dos preços das ações, que subiram acentuadamente na semana retrasada.
Para quem pretende investir em ações, ele ressalta a importância de aplicar no longo prazo. E diz também que é preciso selecionar com cautela as ações, pois a recessão que se avizinha não vai afetar todas as empresas do mesmo modo. ‘‘As menos prejudicadas serão as dos setores de telecomunicações e energia elétrica.’’
Segundo projeções do analista-chefe da Lloyds Asset Management (LAM), Flávio Conde, os lucros das empresas desses dois setores vão ser bem menos afetados do que os das companhias ligadas ao consumo (como varejo) e dos setores de siderurgia, fertilizantes, mineração, etc. Um exemplo: enquanto a perspectiva de queda de 1,5% do PIB em 99 deverá fazer com que os lucros das empresas de telecomunicações sejam 4% menores do que seriam se a economia crescesse 3% (previsão usada antes da crise), os ganhos das empresas de consumo tendem a ficar 27% menores.

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