Após três dias de altas seguidas, o dólar comercial recuou ontem 1,02%, ao fechar cotado na venda a R$ 1,95. Esse resultado estreitou o ganho acumulado pelo comercial neste mês, até o momento, para 2,58%. Expectativas de anúncio ontem à noite de um pacote econômico na Argentina e de ajuda financeira internacional em curto prazo não só provocaram a recuperação dos indicadores financeiros do mercado argentino como também estimularam tesourarias de bancos no Brasil a vender dólar.
Analistas comentaram que houve o ingresso ontem no mercado brasileiro de mais de US$ 300 milhões através de dois grandes bancos estrangeiros. Mas, segundo eles, foi a perspectiva de que a Argentina poderá resolver em breve sua delicada situação financeira que provocou uma melhora no humor do mercado.
Pela manhã, o recuo do over em peso para 10%, ante até 25% alcançado na quarta-feira e 19% anteontem, além da redução da projeção de desvalorização do peso frente ao dólar no mercado futuro de 10% ao ano para a faixa entre 6% e 6,5% ao ano, sinalizaram expectativas positivas do mercado argentino em relação às medidas econômicas que seriam anunciadas pelo governo De la Rúa (foto) e à negociação da ajuda financeira internacional. Rumores no mercado deram conta de que o socorro financeiro externo poderá chegar a US$ 20 bilhões.
Esta semana termina, portanto, menos nervosa do que começou. Mas como seguro morreu de velho, o Tesouro Nacional já decidiu que não ofertará títulos prefixados no seu leilão da terça-feira que vem, limitando-se a oferecer 500 mil títulos pós-fixados (LFT de 1.434 dias, com vencimento em 20/10/2004). O secretário-adjunto do Tesouro, Rubens Sardenberg, disse que o motivo da interrupção da oferta de prefixados é a volatilidade do mercado registrada nas últimas semanas, o que elevou excessivamente as taxas.
A Bovespa teria subido muito mais ONTEM, não fosse o tombo da Nasdaq e a queda forte do índice Dow Jones. O índice da carteira teórica paulista fechou em alta de 0,70% e o giro financeiro somou R$ 475 milhões. Com a valorização de ontem, a bolsa paulista reduziu sua perda nominal no mês para 1,63%. Já as incertezas em relação ao futuro presidente norte-americano continuaram a castigar as bolsas americanas. A Nasdaq operava em queda de 4% e o Dow caía 1,7% às 18 horas, quando o pregão se encerrava em São Paulo. A Bolsa eletrônica americana teve o desgosto adicional de ver duas de suas empresas, Intel e Dell Computer, sofrerem um downgrade pela Morgan Stanley. (Silvana Rocha, Marisa Castellani e Márcia Pinheiro)

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