Perseverança é fundamental para dar certo
Curitiba - ''Tinha vezes, na lavoura, que não dava nem para tirar o dinheiro para a comida. Daí decidi que queria arrumar um trabalho.'' Para Dilair Sebastiana Ramos Lecheta, 35 anos, o cultivo rural em Mandirituba (Região Metropolitana de Curitiba) não tinha como ser considerado trabalho tamanha a dificuldade de tirar o sustento do campo. Foi quando descobriu, há apenas um ano, o que para ela é o ''verdadeiro'' trabalho em uma atividade que ainda não dominava: a costura. Dilair, que ganha em média R$ 350 por mês e voltou até a estudar, é uma das dez mulheres que fazem parte da Cooperativa de Mandirituba (Coopermandi), que, por meio da economia solidária, fabrica diversos tipos de bolsas de lona a partir de malotes inutilizados por diversas instituições. O lucro de cada uma delas é proporcional ao número de horas trabalhadas.
A Coopermandi surgiu em 2002 com a união de algumas mulheres que faziam artesanato. Entretanto, o trabalho artesanal não estava gerando lucro para as cooperadas. Foi quando uma delas procurou a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2004, com o intuito de buscar formação e assim aprimorar o trabalho da cooperativa. Aí veio a idéia das bolsas. Os malotes usados são doados pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú, Correios e Exército Brasileiro. Este material era antes incinerado. Agora eles são desmanchados, lavados, cortados e todas as suas partes reaproveitadas pelas mulheres.
''Eu já mexia com artesanato em São Paulo e lá rendia bem. Mas, fugindo da violência, vim com minha família para cá. Mas aqui o artesanato não dá dinheiro. Há pouco tempo estamos tendo lucro com a cooperativa, mas coloquei meu coração aqui'', contou a cooperada Irene Medina, que está desde o início na Coopermandi.
As bolsas deram certo e hoje as mulheres conseguiram comprar diversas máquinas, algumas delas em parceria com o Banco do Brasil, e produzem de 300 a 400 unidades por mês. Todas são vendidas em feiras, em eventos da Caixa Econômica, em centros acadêmicos da UFPR e na Boutique Solidária. O local onde a pequena fábrica está montada é cedido pela prefeitura de Mandirituba. ''Já estamos pensando em ampliar'', conta a cooperada Luciane da Silva Kanopa, uma das fundadoras da Coopermandi. Luciane também era trabalhadora rural e hoje comemora o sucesso. (A.B.)





